BIKE FIT PARA MULHERES CICLISTAS

Autores

  • Amanda Camponogara
  • Felipe Pivetta Carpes
  • Marcos Roberto Kunzler

Palavras-chave:

Exercícios, físico, Biomecânica, Ciclismo, Conforto, Educação, saúde, Desempenho, esportivo

Resumo

O exercício físico praticado de forma regular é uma das estratégias mais eficazes para a manutenção da saúde e qualidade de vida. No que diz respeito ao esporte amador, a grande maioria dos praticantes não possui uma orientação de profissional ou informação adequada sobre sua prática, o que repercute, por exemplo, nos níveis de lesão. O ciclismo é um esporte popular e que requer uma postura adequada na bicicleta para promover rendimento e reduzir riscos de desconfortos e dores. A postura na bicicleta depende de aspectos geométricos dela, mas também é influenciada por características antropométricas individuais de cada praticante. Muitas dessas características antropométricas são também diferentes entre homens e mulheres. Contudo, muitas bicicletas são projetadas sem levar em consideração características de conforto para mulheres na bicicleta, principalmente a dimensão de quadros e componentes. O ajuste dos componentes móveis da bicicleta e adequação da postura do ciclista na bike é chamado de Bike Fit. Neste contexto, o aumento no número de praticantes de ciclismo significa uma demanda adicional de profissionais com condições de realizar o Bike Fit, o que gera uma demanda de qualificação para estudantes futuros profissionais de áreas como educação física e fisioterapia. Este trabalho tem como objetivo descrever um novo projeto de extensão desenvolvido na Unipampa, campus Uruguaiana, que realiza Bike Fit gratuito para mulheres praticantes de ciclismo na cidade de Uruguaiana e região. O projeto realiza-se em etapas remotas e presenciais. Quando o projeto foi estabelecido, em setembro 2021, foi realizada a divulgação do projeto de extensão em redeis sociais, quando então as inscrições para participar no projeto foram abertas. As mulheres praticantes de ciclismo e interessadas no Bike Fit devem se inscrever preenchendo um formulário online para coleta de informações básicas sobre a prática. Com isso, a equipe do projeto agenda o Bike Fit e organiza a sessão presencial para os ajustes individuais na bicicleta. O Bike Fit é realizado no Laboratório de Neuromecânica. Até o momento, em outubro de 2023, 14 mulheres de Uruguaiana e região participaram. Como principais características de perfil, percebemos que as ciclistas são recreacionais, com idade de 42,8 ± 9,3 anos, massa corporal de 76,4 ± 14,3 kg, estatura de 1,6 ± 0,4 m e índice de massa corporal de 29,0 ± 9,0 kg/m2. Todas as participantes usam um modelo de bicicleta Mountain Bike, aro 29. Para a realização do Bike Fit são usadas algumas referências científicas para o posicionamento na bicicleta de acordo com as características antropométrica das mulheres. Por isso, são feitas medidas de frequência cardíaca de repouso (FCR, com um monitor cardíaco), nível de flexibilidade (usando banco de Wells), força de preensão manual (dinamômetro manual), comprimento do membros inferiores (fita métrica), ângulo do tornozelo em repouso (goniometria), altura do cavalo (fita métrica), altura do selim em relação ao eixo do pedal (fita métrica), e ângulo do joelho na pedalada (cinemetria 2D). É realizada a comparação antes e pós o ajuste. Para as mulheres avaliadas até o momento, encontramos os valores médios ± desvio padrão de FCR de 72,3 bpm, nível de flexibilidade de 30,0 ± 7,0 cm, força de preensão manual direita de 28,5 ± 5,9 N e esquerdo de 27,6 ± 5,1 N, comprimento de membros inferiores, direito de 82,0 ± 9,1 cm e esquerdo de 81,4 ± 11,0 cm, ângulo do tornozelo em repouso. Direito de 135,4 ± 36,9º e esquerdo de 136,8 ± 37,3º, altura do cavalo de 76,0 ± 2,0 cm. Após os ajustes, os indicadores de posicionamento na bike apresentam alteração. A altura do selim em relação ao eixo do pedal mudou do pré de 82,6 ± 2,4 para o pós 83,3 ± 1,9 cm (t=0,46, p=0,65), e pico do ângulo do joelho diminuiu do pré 153,8 ± 8,8º para o pós 151,0 ± 2,1º (t=1,31, p=0,21). Dentre as participantes, 13 participantes nunca haviam passado por um Bike Fit. Observamos que as mudanças na bicicleta repercutem em pequenas alterações nos indicadores de posicionamento usados como referência (altura do selim e ângulo do joelho na pedalada) que não alcançam uma diferença estatística, mas são evidentes para melhoras no conforto após o Bike Fit. Do ponto de vista global, observamos que esse projeto promove integração entre o ensino teórico e a vivência prática, além de também atrair a comunidade para a universidade.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

BIKE FIT PARA MULHERES CICLISTAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116465. Acesso em: 17 abr. 2026.