ARGAMASSA SUSTENTÁVEL COM INCLUSÃO DE CINZAS DA CASCA DE ARROZ

Autores

  • Daniele Lopes
  • Vanessa Castro de Oliveira
  • Sabrina Neves da Silva

Palavras-chave:

Beneficiamento, arroz, cinza, casca, aplicações, tecnológicas

Resumo

O Rio Grande do Sul (RS) é o Estado com maior produção de arroz do Brasil. Para a safra de 2022/2023, estima-se que a produção possa chegar em 7,1 milhões de toneladas. Sendo assim, o arroz é um dos principais produtos no contexto agrícola do Estado, junto à soja e o trigo, representando uma commodity de grande importância para o país. A maior parte do arroz produzido no Estado do RS tem seu beneficiamento, que inclui a secagem, descascamento e embalagem realizada no próprio Estado, em geral, em engenhos regionais, próximos às zonas de produção. Na região da fronteira com a Argentina, a região Central e a região Sul do Estado do RS são responsáveis pela maior parte da safra produzida, e nestas estão concentradas as indústrias de beneficiamento. Uma fonte de biomassa bastante abundante no Estado do Rio Grande do Sul são os resíduos agroindustriais como a casca de arroz. Por apresentar poder calorífico adequado para combustão e um alto conteúdo de materiais voláteis, a casca de arroz pode ser utilizada como combustível. O potencial energético da casca corresponde a 50% da capacidade térmica de um carvão betuminoso de boa qualidade e de 33% da capacidade térmica do petróleo. Neste sentido, a geração de energia através da combustão da casca de arroz é uma alternativa tecnológica viável, do ponto de vista econômico, e ético, do ponto de vista ecológico. Isto ocorre uma vez que existe tecnologia para a conversão, e a matéria-prima é abundante na região Sul e todo o dióxido de carbono produzido na queima volta para o ciclo da biosfera terrestre. Desta forma, pesquisadores vem buscando alternativas para o aproveitamento da casca do arroz resultante do beneficiamento do produto, uma vez que sua deposição a céu aberto pelos próprios produtores é prejudicial ao meio ambiente pois a emissão de metano é alta, gás esse que é produzido pela decomposição da matéria orgânica é 20 vezes mais prejudicial ao meio ambiente que o CO2. A queima da casca de arroz gera outro resíduo, a cinza da casca de arroz (CCA) a qual, da mesma forma, não pode ser descartada pois pode contaminar o solo e as águas.Vale destacar que deste processo, para a indústria, nem sempre tem uma destinação que possa se considerar adequada, sendo um problema ambiental a ser gerenciado, uma vez que tanto a casca como a cinza produzida pela sua queima indiscriminadamente, tornaram-se preocupantes em determinadas regiões do país, sobretudo em nossa região, em virtude do grande volume produzido anualmente. Pensar em reaproveitar todos os resíduos do beneficiamento e da geração de energia vai ao encontro de uma produção agroindustrial com baixo impacto ambiental. Como alternativa para uso da CCA, tem-se a inclusão deste resíduo em matrizes cimentíceas em substituição ao cimento. Isso porque, a produção de cimento tem um alto impacto em termos de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Neste cenário, o presente trabalho tem como objetivo verificar a viabilidade do uso da cinza de casca de arroz (CCA) sem controle de queima como substituto parcial do cimento visando o desenvolvimento de um material de construção sustentável. É importante destacar que serão apresentados resultados de parte de um projeto que visa desenvolver construções sustentáveis, visando o bem estar ambiental e social, que engloba, além do material de construção, geração descentralizada de energia (fotovoltaica), reutilização da água e aproveitamento da matéria orgânica gerada. A CCA utlilizada neste trabalho foi previamente caracterizada como superpozolana. Substitui-se 15% de cimento por CCA moída durante 3 horas e obteve-se melhoria nas propriedades mecânicas do material quando compradado com a argamassa sem CCA. Dessa forma, considerando-se a contrução de uma residência popular de 46m², estima-se uma redução do uso de 14,1 sacos de cimento, considerando uma média de 2,05 sacos de cimento por m² de construção, contribuindo para redução das emissões de CO2. Com isso, o material desenvolvido introduz-se no conceito de sustentabilidade. Isso vai ao encontro das metas da Global Cement and Concrete Association (GCCA) a qual prevê a redução das emissões de carbono no processo de fabricação do cimento até 2050.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

ARGAMASSA SUSTENTÁVEL COM INCLUSÃO DE CINZAS DA CASCA DE ARROZ. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116425. Acesso em: 17 abr. 2026.