RESISTÊNCIA: UM PROJETO DE EXTENSÃO E DE FORMAÇÃO BILÍNGUE

Autores

  • Luciana Moraes Soares
  • Vinicius Freitas de Menezes
  • Claudete da Silva Lima Martins

Palavras-chave:

Libras, Educação, bilíngue, Surdos

Resumo

Este trabalho tem como objetivo socializar as experiências vivenciadas durante o desenvolvimento do curso de aperfeiçoamento em Serviço de Atendimento Educacional Especializado (SAEE) para educandos público-alvo da Educação Especial na perspectiva inclusiva, proposto e desenvolvido dentro do Programa de Extensão Tertúlias Inclusivas, com apoio do Grupo de Estudos e Pesquisa em Inclusão e Diversidade na Educação Básica e no Ensino Superior (INCLUSIVE). O curso de aperfeiçoamento em SAEE, foi realizado na modalidade de educação a distância tendo como principal objetivo promover formação acadêmico-profissional em nível de aperfeiçoamento para professores da rede pública de ensino atuantes na Educação Básica, prioritariamente para professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Foram disponibilizadas e preenchidas 600 vagas a nível nacional, distribuídas em vinte e cinco turmas, com vinte e quatro cursistas em cada turma, sendo uma turma bilíngue (Libras/Língua Portuguesa). O curso foi realizado entre os anos de 2022 e de 2023, foram seis meses de formação organizados em seis tertúlias, os quais totalizaram 180h de formação. Como exposto, os cursistas participantes desta formação residiam em regiões distintas do país. Para composição da turma bilíngue utilizou-se como critério para o agrupamento dos participantes, a utilização da Libras como meio de comunicação. Desta forma, a turma bilíngue denominada Resistência, foi composta por vinte e quatro cursistas que utilizam a Libras, sendo doze cursistas residentes na região Nordeste, quatro na região Norte, cinco na região Centro-Oeste e três na região Sul do país. Dos vinte e quatro cursistas dessa turma, nove eram Surdos sinalizantes e quinze cursistas ouvintes com conhecimento em Libras dos níveis básico ao avançado. Além dos cursistas participaram também como apoio à turma dois tradutores/intérpretes de Libras, os quais desempenharam papel fundamental durante a realização do curso. Segundo Souza (2018) a surdez é mais do que uma característica, é um elo de ligação entre indivíduos em diferentes espaços geográficos, nesse sentido, a turma bilíngue Resistência se configurou como um elo de ligação entre os cursistas Surdos e ouvintes do curso de aperfeiçoamento em SAEE, criando uma comunidade surda inclusiva, que embora não fosse geográfica, situava-se no campo da cultura e identidade Surda. A metodologia utilizada nesta turma em específico durante o curso de aperfeiçoamento em SAEE, esteve pautada no bilinguismo. Existem dois paradigmas principais que circulam na educação de Surdos, o bimodalismo e o bilinguismo. O bimodalismo surgiu como uma possibilidade de ensinar a Língua Portuguesa para os estudantes Surdos através da Libras, segundo Quadros (2008) esse método consiste em utilizar a estrutura gramatical da Língua Portuguesa, em detrimento da estrutura gramatical da língua visual. Já o bilinguismo é um conceito mais recente, considera-se educação bilíngue aquela que utiliza a Libras como primeira língua e a Língua Portuguesa escrita como segunda língua, sendo o professor fluente na Libras conforme disposto no Plano Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS, 2022), nessa perspectiva durante os seis meses de formação, utilizamos a Libras como primeira língua e a Língua Portuguesa como segunda língua. Como resultados consideramos significativo destacar a proposta inovadora trazida pelo curso de aperfeiçoamento em SAEE, pois a coordenação do curso, bem como os professores formadores não se preocuparam em apenas mediar os conteúdos e conceitos estudados durante a formação, mas demonstraram cuidado e dedicação em garantir além da presença, a participação e aprendizagem de cada cursista. Esse cuidado pôde ser percebido durante as reuniões com os tutores e equipe técnica, onde cada barreira era discutida e buscava-se um mecanismo de rompimento para a mesma (SASSAKI, 2009). Na turma bilíngue Resistência em específico, percebe-se que o curso proporcionou um espaço de legitimidade e equidade de participação, além disso, possibilitou o contato e a prática semanal com a Libras e com Surdos sinalizantes, atuando, portanto, também na disseminação da língua visual, contribuindo assim com os cursistas ouvintes na aquisição e na fluência da Libras. Dos vinte e quatro cursistas que ingressaram no curso, dezoito concluíram com êxito a formação, sendo que doze deles consideraram o curso ótimo e pretendem participar de novas formações, quatro avaliaram o curso como sendo bom e nenhum cursista considerou a formação como insatisfatória. Acredita-se que as práticas desenvolvidas pela coordenação do curso de aperfeiçoamento em SAEE, como a manutenção de uma turma bilíngue, com tutoria fluente em Libras além do suporte e apoio de tradutores/intérpretes de Libras, possa servir de inspiração para o desenvolvimento de práticas semelhantes em outras formações.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

RESISTÊNCIA: UM PROJETO DE EXTENSÃO E DE FORMAÇÃO BILÍNGUE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116401. Acesso em: 17 abr. 2026.