GRUPO DE AJUDA-MÚTUA EM UMA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Saúde, Mental, Enfermagem, Vínculo, Atenção, BásicaResumo
O ato de acolher nos serviços básicos de saúde caracteriza-se como um processo de mobilização de saberes interprofissionais, a fim de auxiliar na ampliação do bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos da comunidade, atendendo a sua subjetividade, suas crenças e singularidades. Dessa forma, o Grupo de Ajuda-Mútua (GAM) é um instrumento de cuidado utilizado para acolher os usuários e possibilitar uma troca de vivências, suporte emocional e espaço para discussões de problemas e soluções. Além disso, é uma das ferramentas da Atenção Básica (AB) capaz de promover vínculo, autonomia e responsabilização dos usuários quanto ao seu cuidado em Saúde Mental. Dessa forma, estes espaços de socialização na AB proporcionam transformações no modo como as pessoas que apresentam sofrimento mental percebem e lidam com a sua condição. Nesse sentido, o presente trabalho busca relatar a experiência com as ações de extensão produzidas com usuários da AB através de um GAM. As atividades foram desenvolvidas no projeto de extensão "Comunicação social e cidadania: Saúde mental em foco", criado em 2017 sob registro de nº 2022.EX.UR.1200, vinculado ao curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Uruguaiana e ocorreram durante os meses de agosto e setembro de 2023, em uma Estratégia Saúde da Família (ESF) que abrange bairros de grande vulnerabilidade social, no município de Uruguaiana, sendo elaboradas e desenvolvidas por uma discente do 6º semestre do curso de Enfermagem, uma docente e um Agente Comunitário de Saúde da ESF. O grupo tem como público-alvo pessoas que apresentam situação de risco e/ou demanda de Saúde Mental, visando a criação e fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e a comunidade. Portanto, através de um espaço de construção coletiva e dialógica, busca-se o cultivo de um ambiente no qual os usuários sintam-se confortáveis para narrar suas histórias. Inicialmente, o convite aos usuários do território para participação no grupo foi realizado pelos profissionais da ESF, através de consultas, visitas domiciliares e salas de espera, onde foi informado sobre a periodicidade dos encontros, os objetivos do grupo e o público-alvo. No primeiro encontro, definiu-se juntamente dos participantes um nome para o grupo e os temas a serem discutidos nas próximas reuniões. Posteriormente, no dia agendado para o grupo, foram elaboradas dinâmicas para facilitar a abordagem dos assuntos escolhidos para discussão durante o encontro, de modo a fomentar a participação de pessoas em sofrimento psíquico nestes espaços de saberes e trocas. Previamente aos encontros, a discente se aprofundava sobre as temáticas que seriam abordadas, planejava e organizava as dinâmicas a serem realizadas, apoiando-se em referenciais atualizados sobre os assuntos. Nesse contexto, observou-se que os participantes que costumam frequentar grupos terapêuticos os vêem como um momento de socialização, trocas de vivências e acolhimento. Durante as rodas de conversa, foram debatidos vivências e traumas pessoais dos usuários, bem como, assuntos envolvendo luto, violência, depressão, ansiedade, tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos, conhecimentos sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Ademais, foi possível observar uma dificuldade de adesão ao grupo por parte dos usuários, de modo que, a assiduidade nas reuniões ainda é um desafio a ser superado. Os GAM se revelam um instrumento valioso para as ESF como forma de acompanhamento em saúde mental, rastreio, prevenção, promoção da saúde mental e diminuição da demanda para atendimentos individualizados. Neste sentido, esta atividade de extensão mostrou-se como uma vivência necessária e enriquecedora para a formação acadêmica de estudantes de Enfermagem, uma vez que, auxilia no desenvolvimento de habilidades de comunicação ao construir e conduzir grupos, uma tarefa essencial para os profissionais da AB. Ademais, contribui no aperfeiçoamento da escuta ativa e acolhimento dos usuários em sofrimento psíquico. À vista disso, torna-se relevante destacar a necessidade de maior visibilidade e reconhecimento dos grupos terapêuticos em saúde mental na AB. Portanto, faz-se indispensável que os profissionais das equipes da AB possuam incentivo para buscar discutir temas relacionados à saúde mental junto à comunidade, visto que ainda é um tema pouco conhecido para muitos usuários do território.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
GRUPO DE AJUDA-MÚTUA EM UMA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116378. Acesso em: 20 abr. 2026.