UM COLETIVO FEMISNISTA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUA RELEVÂNCIA

Autores

  • Paola Pires dos Santos
  • Renata Hernandez Lindemann
  • Suzana Cavalheiro de Jesus

Palavras-chave:

feminismo, narrativas, anti-racismo

Resumo

Vivenciamos nos espaços escolares diversos momentos onde sujeitos reproduzem discursos machistas e confirmam a estrutura patriarcal da nossa sociedade. Percebemos a repetição destas narrativas no convívio dos alunos e alunas e identificamos que eles nem percebem a seriedade desta ação, em momentos de silenciamento das discentes e múltiplos desafios acerca dessa estrutura machista. Concordamos então que precisamos abordar e trabalhar feminismo apesar de sabermos que já conquistamos alguns direitos, ainda há necessidade de dialogar, lutar e desconstruir para mais avanços na nossa sociedade que ainda segue no modelo patriarcal. Ademais, grande parte dos discursos e modelos disseminados por aqui sobre feminismo, segue um modelo branco de classe média que não representa todas e nem a grande maioria das mulheres. No ano de 2022, foi criado um coletivo feminista, em uma escola pública da cidade de Bagé, denominado Por Nós. Iniciamos nossos encontros quinzenalmente e esta experiência acabou por conduzir à proposta de pesquisa do mestrado. Desde o primeiro momento, combinamos que seria uma construção conjunta, já que todos ali estavam aprendendo a dialogar e desconstruir-se enquanto sociedade reprodutora de discursos e comportamentos carregados do modelo patriarcal. Nossa primeira reflexão sobre o tema foi em uma reunião do coletivo, quando iniciamos a apreciação da obra Por todas nós, da autora Ellora Haonne, escolhida pela facilidade de leitura e compreensão. No terceiro encontro, duas alunas, as únicas regulares no projeto, perguntaram se poderíamos mudar o foco do estudo já que aquele feminismo presente no livro de Haonne era mais do mesmo, de um feminismo branco padrão que a sociedade reproduzia. As alunas pediram para que abordássemos e falássemos de mulheres pretas, um feminismo que representasse essas pessoas esquecidas e apagadas da história e não a classe média branca. Percebi naquele momento a necessidade que essas meninas negras tinham de reconfigurar esses discursos que falam sobre mulheres, em uma perspectiva onde elas possam se ver representadas. A sensação de não pertencimento que havia nelas e concordamos no mesmo instante em mudar nossas leituras com direcionamento para mulheres feministas negras. Desde então nosso olhar para elas mudou e acreditamos que, assim como nós, outras pessoas podem ser tocadas e modificadas a partir de práticas que dão voz a essas mulheres caladas e esquecidas por tantos anos. Seguimos com obras como Quem tem medo do Feminismo negro, Quarto de Despejo e outras que são carregadas de críticas e diálogos regados de reflexão, que nos possibilitam a desconstrução de pensamentos e posicionamentos racistas e machistas. Motivada pelo coletivo Por Nós, da escola Luiz Mércio Teixeira, criou-se um novo projeto denominado A contribuição de narrativas feministas negras no coletivo feminista X, em desenvolvimento no Mestrado Acadêmico em Ensino, realizado na Universidade Federal do Pampa. O mesmo tem como objetivo discutir contribuições da leitura e debate da literatura feminista negra junto à um coletivo juvenil de estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Drº Antônio Carlos Kluwe de Bagé-RS. A partir de buscas por trabalhos na área, consideramos demasiada importância da abordagem da temática, já que sabemos que não há trabalhos na área, tão pouco que abordem feminismo negro. Afirmando o que pensávamos, sobre falta de representatividade e reconhecimento das mulheres pretas no movimento feminista. Diante disso buscamos identificar quais as contribuições da leitura e debate da literatura feminista negra, neste espaço de discussão, irão ter no ensino e vida dos alunos e alunas participantes do coletivo.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

UM COLETIVO FEMISNISTA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUA RELEVÂNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116324. Acesso em: 17 abr. 2026.