COLITE PSEUDOMEMBRANOSA: AVANÇOS RECENTES

Autores

  • Eduardo Afonso Zechlinski dos Santos
  • Mayara de Almeida Tebaldi
  • Thalys Augusto Menegazzo Trombetta
  • Lucas Mendes da Incenção
  • Aldomar Renato Pederiva Filho

Palavras-chave:

Enterocolite, Pseudomembranosa, Clostridium, difficile, Diarreia

Resumo

A colite pseudomembranosa é uma infecção gastrointestinal causada pela bactéria Clostridium difficile (ICD), anaeróbia, gram-positiva, formadora de esporos e produtora de toxinas. A transmissão se dá de pessoa a pessoa, no contato de objetos contaminados por esporos e posterior deglutição, via fecal-oral. Clinicamente, pode se manifestar desde um quadro leve até a forma mais grave, a colite pseudomembranosa, caso em que pode evoluir para grande perda de líquidos, complicações sistêmicas e até mesmo sepse, o que frequentemente leva o paciente a óbito. Devido ao uso indiscriminado de antibióticos, suspeita-se desta patologia sempre que houver histórico de uso desse tipo de medicação associado ao quadro de diarreia. Os fatores de risco associados com a maior prevalência são: ambiente hospitalar, instituições de longa permanência, uso de antimicrobianos e idade avançada (em especial, idosos com mais de 75 anos). O teste padrão para determinação do diagnóstico dessa patologia se dá pela detecção nas fezes das toxinas A e B ou de cepas que produzem essas toxinas. Também pode ser diagnosticada pela observação direta via sigmoidoscopia, colonoscopia ou em cirurgia, pela presença de colite, em que o cólon é recoberto por pseudomembranas brancas ou amareladas. Apesar disso, o diagnóstico de C. difficile ainda é um desafio devido ao fato de não existir um único ensaio que contemple alta sensibilidade e especificidade, tempo de resposta rápido e baixo custo. O tratamento da colite pseudomembranosa envolve a interrupção do antibiótico causal, cuidados de suporte que, em casos leves, podem resultar na recuperação. Para ICD leve, o metronidazol é recomendado. Em casos graves, a vancomicina é a opção principal. A fidaxomicina é uma alternativa eficaz, embora não seja comercializada no Brasil. O tratamento da disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) mediante transplante de microbiota fecal (TMF) deve ser considerado nos casos refratários e recorrentes, tendo em vista a recuperação do equilíbrio bacteriano a longo prazo. O tratamento visa rápida melhora dos sintomas e, caso não ocorra em cinco ou seis dias, a mudança da terapia deve ser considerada. Para ICD fulminante, em casos de íleo paralítico, a vancomicina em dose alta é usada juntamente com o metronidazol. Nesses casos também pode ser necessário a colectomia. Cerca de 20% dos pacientes podem sofrer recidiva após o tratamento, exigindo a repetição de vancomicina ou metronidazol, além de acompanhamento com um especialista. Em 2013, os Centros de Controle de Doenças já haviam classificado a ICD na categoria mais alta de ameaças de resistência antimicrobiana. Dez anos depois, continua sendo uma temática não resolvida. A situação epidemiológica atual vem se alterando, uma vez que, a ICD está cada vez mais prevalente na comunidade e não mais restrita a ambientes hospitalares. Estima-se que mais de um quarto dos casos sejam adquiridos na comunidade, embora esses dados ainda sejam poucos reconhecidos por falta de rastreio. Tendo em vista esse contexto de aumento da incidência e mortalidade por essa infecção, esse trabalho tem como objetivo demonstrar os últimos avanços sobre esta patologia, desde as mudanças epidemiológicas até novos métodos de diagnóstico, tratamento e prevenção. Este estudo consiste em uma revisão bibliográfica, com busca de artigos científicos na base de dados PubMed e Scielo (Scientific Eletronic Library Online). Foram utilizados os seguintes descritores na busca: pseudomembranous colitis AND epidemiology, com filtro para os últimos cinco anos de publicação e revisão sistemática, totalizando seis revisões sistemáticas selecionadas. Além disso, usamos como base fontes literárias renomadas, tal como o livro de medicina interna Goldman-Cecil Medicina. Considerando os fatores de risco associados à infecção por C. difficile, deve-se evitar o uso indiscriminado de antibióticos e adotar medidas de precauções entéricas. Os pacientes hospitalizados devem receber maior atenção quando cursam com sintomas específicos da doença, sendo que o diagnóstico e tratamento precoces, a identificação das cepas bacterianas, o isolamento dos pacientes e a TMF são medidas essenciais tanto para um melhor prognóstico nos casos graves e recorrentes quanto para evitar a disseminação da infecção. Muitos avanços no enfrentamento dessa doença ainda devem ser feitos, tais como a padronização diagnóstica, o desenvolvimento de vacinas contra as toxinas da bactéria, a ampliação do acesso e dos estudos sobre o TMF e um maior controle na disseminação das cepas hipervirulentas. Além disso, a estratégia de triagem (universal versus direcionada - triagem em pacientes de alto risco) deve ser abordada no futuro. Também é importante a ampla difusão de informações a respeito do tema não apenas para a comunidade científica, mas para a população, a fim de aumentar as medidas básicas de prevenção, tais como higienizar as mãos e os alimentos e evitar a automedicação.

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

COLITE PSEUDOMEMBRANOSA: AVANÇOS RECENTES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116171. Acesso em: 20 abr. 2026.