ARANEÍSMO POR ARANHA-MARROM EM CANINO: LOXOSCELES
Palavras-chave:
Envenenamento, Aranha-marrom, Loxosceles, spp, Canino, DermonecroseResumo
No Brasil, a maioria dos acidentes com aranha-marrom ocorrem na região Sul e Sudeste, principalmente destacando-se na estação como o verão. A Loxosceles spp. Conhecida, popularmente, como aranha-marrom é pequena (1-3cm), temperamento pouco agressivo, sendo assim, normalmente só picam quando manipuladas e sua picada é indolor, só demonstrando problemas após o início do quadro clínico bastante complexo, sendo a dermonecrose extensa o principal agravante, e também a escassez de relatos em Medicina Veterinária. Esses aracnídeos vivem em domicílio, escondendo-se em tijolos, móveis e possuindo hábitos noturnos. São aranhas caracterizadas por serem nocivas para seres humanos e animais devido seu potencial de evolução do quadro clínico com risco de óbito, visto que seu veneno possui ação vasoconstritora, trombótica, hemolítica e dermonecrótica, podendo causar lesões cutâneas e até mesmo viscerais graves. Com isso, o presente trabalho objetiva discorrer sobre araneísmo em uma cadela. A paciente correspondia a uma cadela da raça Labrador retriever, 12 anos de idade, pesando 33 Kg. A pacienta residia em domicílio com pátio na cidade de Uruguaiana e foi encaminhada para atendimento clínico no dia 17/09/2023 após apresentar prostração, anorexia e com aumento de volume na região do tarso do membro pélvico direito, Segundo o tutor, a cadela era mantida em um canil no fundo de casa, com acúmulo de materiais de construção. Os sinais clínicos correspondiam ainda a edema generalizado do membro pélvico direito, na região metatarsiana e articulação tíbio-fíbulo-társica (tornozelo), com área enegrecida , eritematosa, pressão digital positiva, temperatura de 39,3°C e apresentando desconforto na palpação no membro. Logo após anamnese e exame físico, foram realizadas coletas de sangue para hemograma e bioquímico foi realizada tricotomia do local, onde se destacou um abcesso o qual ao ser puncionado, originou um ponto de drenagem de grande quantidade de secreção serosanguinolenta. Em relação aos exames sanguíneos o hemograma apresenta leucocitose, trombocitose, e quanto ao bioquímico foi possível observar aumento de enzimas como creatinina, uréia, fosfatase alcalina com indicação de lesão renal devido ao envenenamento. Com base nos aspectos clínico-patológicos caracterizados por dermonecrose, com bordas irregulares, edema, associados aos achados hematológicos e bioquímicos foi sugerido como diagnóstico de envenenamento por picada por aranha-marrom. O tratamento utilizado neste caso foi com antibioticoterapia de amplo espectro, utilizando cefalotina 30mg/Kg, analgesia através do uso de dipirona 25mg/Kg e opóide com o cloridrato de tramadol 50% 2mg/Kg, antiemético metoclopramida 0,5mg/Kg, fluidoterapia com Ringer lactato, e curativos locais com limpeza duas vezes ao dia utilizando Clorexidine degermante 2%, Solução fisiológica e Dimetilsulfóxido - DMSO gel, a lesão necrosou e ocorreu desbridamento da ferida. O diagnóstico de araneísmo por Loxosceles raramente é baseado na identificação do aracnídeo, pois depende da captura da aranha sendo na maioria dos casos baseado nos sinais clínicos e nos sintomas. Quanto mais precoce e o diagnóstico, menor o tempo de ação do veneno e assim, melhor prognóstico. Na maioria dos casos não se observa o local na inoculação da peçonha. O tratamento realizado promoveu uma melhora significativa dos sinais apresentados pelo animal, principalmente com relação à extensa dermonecrose. O sucesso no tratamento do animal se deu também ao rápido diagnóstico realizado. Entretanto, não foi suficiente para conter os quadros sistêmicos, evoluindo para distúrbios renais e circulatórios sistêmicos graves, com o avanço das complicações, a paciente veio a óbito em 2 dias (19/09/23), após o início dos sinais clínicos. Nota-se, então, a importância da realização de treinamentos e reciclagem sobre envenenamentos com aranha marrom para profissionais da saúde, com o intuito de aprimorar o diagnóstico, principalmente, para os médicos veterinários devido à escassas evidências cientificas na literatura abordando os acidentes por Loxosceles, especialmente, na região da fronteira oeste, onde a casuística é incerta.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ARANEÍSMO POR ARANHA-MARROM EM CANINO: LOXOSCELES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116098. Acesso em: 18 abr. 2026.