Baralho Morfológico: planejamento, elaboração e produto
Palavras-chave:
Jogo, Baralho, morfológico, Ensino, morfologiaResumo
Este trabalho aborda a criação de um material didático manipulável, elaborado no componente curricular Morfologia do Português, e tem como objetivo descrever os pressupostos teóricos, a metodologia de criação do jogo e as características do produto final. Partimos da ideia de que a utilização de jogos em sala de aula é uma maneira de abordar fatos gramaticais em aula e transformar o aprendizado em algo mais interessante do que a memorização de conteúdos para a realização de uma avaliação. O aluno exposto à atividade aqui descrita, em específico, além de reconhecer o que é um morfema (ex. re-, nutr-, -mente), também é capaz de perceber onde e como esse constituinte se encaixa na formação da palavra, verificar quais mudanças gramaticais ele causa e, intencionalmente ou não, entender um pouco mais sobre a morfologia de uma língua - neste caso, sobre o português brasileiro (PB). Essa proposta se encaixa nos pressupostos teóricos de Pilati (2017, p. 91), que defende que "as práticas docentes devem ir além da mera e abstrata metalinguagem e precisam evidenciar como conhecimentos gramaticais podem ser usados [...]. Ainda, Pilati (2017, p. 99) acrescenta que "o importante é que o professor tenha condições de pensar aulas mais efetivas e criativas e que tenham um repertório de ações metodológicas mais vasto". Dessa forma, entendemos que há vantagens em procurar maneiras diferentes de promover o conhecimento gramatical: jogos didáticos, enquanto suporte no ensino do PB, podem abrir um leque de oportunidades, tanto para o professor quanto para a turma, afinal, o interesse dos alunos no conteúdo pode ser ampliado, tornando o processo de ensino/aprendizagem mais fluído e atraente. A partir desses pressupostos, propusemos a criação de um baralho morfológico, estruturado para os anos finais do Ensino Fundamental. A arte do jogo, das cartas à caixa de armazenamento, constitui trabalho original e criado do zero pela proponente do trabalho. Trata-se de um jogo didático que auxilia na compreensão da formação das palavras derivadas em PB (ex. infeliz, deslealdade, amavelmente). Usando raízes, prefixos e sufixos devidamente selecionados para a elaboração do material, é possível montar mais de 70 palavras atestadas na língua. O material do jogo é impresso em papel específico para cartas e cartões, com o tamanho de uma carta de baralho comum, para facilitar o manuseio. Cada carta do baralho vem sinalizada com a inicial da posição em que pode ser encaixada: R para raízes, P para prefixos e S para sufixos, além dos coringas, que podem ocupar a posição de qualquer afixo, mas nunca a de uma raiz. Durante o desenvolvimento do jogo, foi dada preferência para morfemas que formassem mais palavras possíveis na língua, isto é, morfemas mais produtivos (ARONOFF, 1976). Foram realizadas testagens frequentes para encontrar um número coerente de cartas e revisar quais palavras potenciais poderiam ser formadas com os elementos gramaticais selecionados. O conjunto de palavras potenciais foi adicionado a uma lista de formações possíveis que acompanha o manual de regras e o baralho, a fim de que os participantes possam conferir diferentes julgamentos de aceitabilidade. No momento do jogo, as regras são simples: há 6 cartas para cada jogador, um morro para compra de novas cartas e outro morro para descarte, ao estilo do jogo de pife. A cada jogada, o participante pode comprar uma nova carta ou roubar a carta descartada pelo participante anterior. Quando uma carta é comprada, outra é descartada, mantendo, assim, sempre 6 cartas na mão. O jogador que formar palavras utilizando todas as cartas primeiro, sejam elas palavras de 2 (ex. leal + -dade = lealdade), 3 (ex. des- + nutr(i) + -ção = desnutrição) ou 4 cartas (ex. in- + neg(a) + -vel + -mente = inegavelmente), ganha a partida. Em suma, o baralho morfológico foi criado para reduzir a distância muitas vezes existente entre o conteúdo trabalhado em aula e o material presente na vida dos alunos, tendo-se em vista que a motivação e a disposição da classe são agentes de suma importância para o aprendizado efetivo. Assim, a criação e a testagem do baralho morfológico em aula nos permitiram verificar a aplicação do conteúdo trabalhado de forma prática e atrativa. Espera-se, como perspectiva futura, que o jogo seja utilizado como parte de uma sequência didática em morfologia - especificamente sobre processos concatenativos de formação de palavras - aplicada aos anos finais do Ensino Fundamental como uma abordagem complementar à abordagem feita pelo professor.Downloads
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Publicado
2023-12-18
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Baralho Morfológico: planejamento, elaboração e produto. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 15, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/116069. Acesso em: 18 abr. 2026.