UM OUVINTE NA SURDOLIMPÍADA
Palavras-chave:
surdolimpíadas, comunidade, surda, UNIPAMPAResumo
As Surdolimpíadas, organizado pelo Comitê Internacional de Esportes para Surdos, foi criado no século passado, quando era constante a ideia de que os surdos eram incapazes e intelectualmente inferiores. O evento tem como objetivo principal a promoção da união e a celebração das diferentes culturas através do esporte e ainda, promover a visibilidade surda, demonstrando que são capazes. A primeira edição ocorreu em 1924, em Paris, e, pela primeira vez em 98 anos, foi realizada em um país da América Latina, o Brasil, na edição de 2021. Com isso, através de uma parceria entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Sports Network (responsável pela organização do evento) foi possível participar como colaborador voluntário em período integral durante o acontecimento dos jogos que ocorreram em 2022 devido a pandemia do Covid-19. Este trabalho teve como objetivo relatar a experiência de uma pessoa ouvinte e fora da comunidade surda durante o evento: 24˚ Surdolimpíadas de verão de 2021 sediada em Caxias do Sul- Rio Grande do Sul. Como metodologia, foram realizadas prévias reuniões virtuais com a Sports Network, para repasse de informações relacionadas ao funcionamento do evento e ainda foram disponibilizados cursos de formação acerca da Língua Internacional de Sinais (LI) e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Após as ações preparatórias, ocorreu o primeiro contato presencial da equipe de voluntários, em que foram feitas as credenciais e a divisão de atividades a serem realizadas. Durante os jogos, os trabalhos eram executados com o auxílio de coordenadores que indicavam as adaptações e mudanças a serem feitas, por fim o dinamismo transitou de modo a compreender desde a organização estrutural até as interações entre voluntários, esportistas e participantes do evento. A comunidade surda apresenta um universo de conhecimento e aprendizagem, compreender a execução da Surdolimpíadas é também vislumbrar a concepção das diferenças e conhecer as desigualdades que assolam a sociedade. Participar deste evento sendo uma pessoa ouvinte e sem conhecimento do universo surdo, permitiu conhecer a história, dificuldades e o contexto social em que o Surdo vivencia, e a partir dessa perspectiva a sensibilização humana fez ser entendida como a obrigação de inserção dessa comunidade, salientando que o surdo tem o direito e deve ocupar todos os lugares da sociedade o que muitas vezes é inviabilizado por falta de acessibilidade, ferramentas de inclusão e concepção social. Ademais, também é possível destacar que foi deslumbrante o intercâmbio entre pessoas de outros países, apesar do choque cultural inicial, que causa estranhamento de hábitos e gestos, o que logo torna-se curiosidade e proporciona as tentativas de comunicação. Essas tentativas foram muito importantes para entender o que o surdo passa no dia a dia e promover um sentimento de empatia e solidariedade em relação ao próximo. Contudo, o estranhamento de observar e conviver com tantas pessoas de lugares muito diferentes, que se comunicavam das maneiras mais diversas, já que cada país tem língua de sinais próprias, que acarretavam a curiosidade e a necessidade da comunicação da maneira que fosse possível no momento, geralmente por gestos modalizadores. Ainda, foi possível conhecer a LIBRAS e a LI. Todavia, as adaptações nos esportes foram uma surpresa positiva, tendo em vista o desconhecimento do funcionamento de sinalizações, sendo intrigante notar as diferenças de um esporte surdolímpico para um que não é adaptado, são reflexões que, diariamente, não são feitas sem a existência do conhecer dessa amplitude e da consciência do universo surdo. Conclui-se que foi aprazível todas as maneiras encontradas de utilizar mecanismos de inclusão e demonstrar a competência da comunidade surda de maneira geral, bem como a integração de conhecimento entre ouvinte, surdos e os diversos países presentes. É imensurável a aprendizagem sobre a história da comunidade surda, das surdolimpíadas, bem como sobre a LIBRAS e os Sinais Internacionais. Toda essa experiência no olhar de um ouvinte não inserido na comunidade surda permitiu a reflexão acerca do descaso e a falta de visibilidade com a comunidade e com as pessoas não ouvintes, refletindo informações que deveriam ser de conhecimento geral, da sociedade como um todo, a contemplar um evento de magnitude internacional que não tem o mesmo alcance de divulgação que outros, mas possui um papel fundamental na promoção da inclusão da Pessoa Surda.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
UM OUVINTE NA SURDOLIMPÍADA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113272. Acesso em: 10 jun. 2026.