ASTRONOMIA CULTURAL NO PLANETÁRIO DA UNIPAMPA

Autores

  • Mario Sergio Moreira Garcia
  • Cecilia Petinga Irala
  • Rafael Kobata Kimura
  • Guilherme Frederico Marranghello

Palavras-chave:

Astronomia, Cultural, Planetário, Unipampa

Resumo

Desde a antiguidade, fascinado pelo brilho e pela escuridão, o ser humano olha para o céu e admira seu esplendor. Não apenas admira, como também utiliza seus ciclos e padrões para marcar a passagem do tempo ou orientar-se espacialmente. Acima de tudo, cada povo representa sua própria cultura no céu. As sessões do Planetário da Unipampa iniciam sempre com uma visão do céu da noite atual e todos os visitantes sempre se fascinam com a representação das constelações no céu, entretanto, como a cultura greco-romana se espalhou com grande força pelo ocidente, perdemos contato com a cultura dos povos originários do Brasil e sua relação com o céu. Nas últimas décadas, diversas pesquisas têm sido realizadas no sentido de resgatar um pouco da cultura indígena nacional. O Planetário da Unipampa já possui, em seu sistema, algumas constelações Tupi-Guarani e Tukano, marcadas por linhas que unem as estrelas, entretanto, estas constelações ainda não possuíam uma arte associada a elas. A proposta principal deste trabalho foi de construir uma arte relacionada às constelações. O principal público do Planetário da Unipampa é composto por crianças e jovens e, como forma dessa nova astronomia alcançar este público mais jovem, optamos por fazer as artes em estilo mangá, isto é, quadrinho de estilo japonês, recorrendo às experiências prévias do bolsista que, além de ser produtor experimental de mangás, já havia desenvolvido um projeto relacionado a este estilo anteriormente. O processo criativo se dá por ilustrações executadas no método tradicional, ou seja, lápis sobre papel. Primeiramente se inicia uma pesquisa acerca do grupo etnico desejado no software Stellarium, onde temos acesso ao céu visto por várias etnias, bem como a disponibilidade das linhas que compõem as constelações. Uma vez extraídas as imagens destas linhas, começam novas pesquisas em materiais de cunho teórico, como dissertações, redações e trabalhos de conclusão de curso, com a finalidade de identificar os mitos e histórias por trás destas constelações, além de pontuar possíveis características que seriam importantes para o design dessas representações. O material então desenhado e pintado à mão é escaneado e com a ajuda de alguns softwares e sites como Paint Tool Sai e Canva, as imagens são editadas para obter-se um melhor resultado no que se refere a coloração, realçando-as, além de correções menores. Estas artes já estão prontas e também foram compartilhadas com a empresa que desenvolve o sistema para o planetário, que deverá atualizá-lo em planetários do mundo inteiro e, como resultado disso, além das representações, desenvolvemos cards informativos, narrando os mitos, histórias, curiosidades e significados que estas constelações possuem nas comunidades nas quais circulam em, português, inglês e espanhol, alinhando-se com a área de graduação do bolsista, que cursa licenciatura em Letras - Línguas Adicionais: Inglês, Espanhol e suas Literaturas na Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé/RS. Os próximos passos do trabalho incluem a apresentação das artes desenvolvidas a uma comunidade indígena localizada próximo a Bagé, para validar a produção, e a realização de atividades junto com alunos do município de Bagé, promovendo conceitos relacionados ao respeito, à harmonia e à diversidade cultural, introduzindo a discussão sobre questões étnico-raciais no currículo, para realizar uma avaliação final, não apenas da arte desenvolvida, mas da produção de uma sessão de planetário relacionada à Astronomia Cultural.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

ASTRONOMIA CULTURAL NO PLANETÁRIO DA UNIPAMPA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113267. Acesso em: 10 jun. 2026.