DOCUMENTÁRIO CORPOS POLÍTICOS: MULHERES TRANS NA POLÍTICA BRASILEIRA

Autores

  • Caroline Cardias de Souza Ledesma
  • Andressa Vieira Almeida
  • Rafael Costa da Rosa
  • Rayssa Velasque Mambach
  • Anthony Teixeira de Souza
  • Sara Alves Feitosa

Palavras-chave:

Violência, política, Visibilidade, trans, Mulheres, Direitos, civis, Documentário

Resumo

Este trabalho trata da produção de um documentário que traz relatos das experiências com os diversos tipos de violência que atravessam a realidade cotidiana de duas mulheres transexuais da cena política brasileira. De acordo com um mapeamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2020, 30 candidatas trans foram eleitas, e destas, sete foram as mais votadas em suas cidades. No entanto, o mesmo levantamento registrou o assassinato de 140 pessoas trans no Brasil em 2021. Embora o número represente uma queda se comparado a 2020, que registrou 175 assassinatos, o país ainda lidera o ranking, pelo 13º ano seguido, de mais violento a esta população em 2021, conforme relatório da Transgender Europe (TGEU). Ainda, segundo dados levantados pelo projeto Arco-Íris, do Grupo Cultural AfroReggae, apenas 0,02% das pessoas trans estão presentes no cenário acadêmico e 72% não concluíram o ensino médio, o que tem como consequência a falta de oportunidades, resultando na prostituição como a principal fonte de renda de 90% da população trans brasileira. Desta forma, a falta de escolaridade, o mercado de trabalho informal, as frequentes perseguições a pessoas trans na política e os altos índices de assassinatos a esta população são alguns dos pontos que justificam o interesse pelo tema deste trabalho. O documentário Corpos políticos - Mulheres trans na política brasileira aborda a trajetória de duas mulheres trans em cargos de liderança política que mesmo resistindo e contrariando diariamente as estatísticas, ainda enfrentam diversas violências enquanto se fazem presentes em espaços de governança. O objetivo deste trabalho foi o de conhecer a história e a trajetória dessas mulheres na política, salientando a forma como lutam por melhores condições de trabalho, inserção social, direitos estabelecidos e dignidade para a população LGBTQIA+, além de demonstrar por meio de dados e relatos pessoais as violências que elas sofrem em um contexto político brasileiro marcado por uma hegemonia masculina, cis, branca e sem compromisso com as pautas da população queer. Além disso, procuramos fazer uma reflexão crítica a partir de dados sobre a realidade da população transsexual brasileira no que tange a violência e a vulnerabilidade a que estas pessoas estão submetidas mesmo quando desafiam a realidade da falta de oportunidades e estabelecem-se em cargos políticos. E por fim, através dos relatos das duas personalidades entrevistadas, queremos que este documentário sirva de representante das causas sociais democráticas de forma a evidenciar o destaque das parlamentares enquanto pessoas trans no comando da sociedade, de forma que suas conquistas possam inspirar outras mulheres trans, corroborando para um maior destaque dos direitos e reivindicações da categoria. Para a realização deste documentário foram feitas entrevistas em vídeo com a vereadora de Niterói-RJ, Benny Briolly, que é mulher negra, estudante de Jornalismo e a primeira travesti eleita no Rio de Janeiro; e a vereadora de São Borja-RS, Lins Robalo, que é mulher negra, transexual, Assistente Social, Mestre em Ciências Sociais e Especialista em Políticas Públicas de Violência Intrafamiliar. Ocorridas em meio a pandemia e com aulas remotas, as entrevistas para este trabalho foram pensadas considerando que os alunos e as fontes encontravam-se espalhados. Desta forma, seguindo os protocolos sanitários de prevenção da Covid-19, as entrevistas foram feitas por meio de videoconferência com Benny Briolly, porque naquele momento a vereadora sofria diversos ataques políticos e precisava se resguardar em segurança, e de forma presencial com Lins Robalo. Todo o processo de produção deste trabalho foi desenvolvido dentro de um período de execução de seis semanas que incluía roteirização, produção, gravação e edição do produto (PUCCINI, 2009), de forma que as tarefas foram distribuídas entre os integrantes do grupo para garantir uma produção organizada e eficiente, visto que em se tratando de pessoas públicas, as agendas das vereadoras são movimentadas e inconstantes, o que demandou um manejo do grupo para cumprir com o cronograma de execução. Além das entrevistas em vídeo, foram utilizados conteúdos de arquivo pessoal concedido pelas vereadoras e prints de notícias que auxiliaram na ilustração de suas conquistas políticas e dos atentados violentos que sofreram. Este trabalho promoveu ao grupo e a quem mais teve acesso ao seu conteúdo a reflexão acerca da emergente discussão sobre o espaço que a população trans ocupa no país e as potenciais violências a que são submetidas independentemente da posição social que ocupam. Compreendemos que o objetivo de propor um maior entendimento sobre a realidade política das parlamentares acabou por ajudar na importância de debater o papel social das pessoas trans na sociedade brasileira, além de fazer com que trabalhos como este sejam porta-voz para dar visibilidade às suas reivindicações pela garantia dos direitos civis.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

DOCUMENTÁRIO CORPOS POLÍTICOS: MULHERES TRANS NA POLÍTICA BRASILEIRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113234. Acesso em: 10 jun. 2026.