MEMÓRIA E RESISTÊNCIA NEGRA: O CASO DO CENTRO DE MEMÓRIA DO CLUBE CASSINO-ITAQUI
Palavras-chave:
Memória, Clube, Cassino, NEABIResumo
Este trabalho se refere ao projeto de extensão que vem sendo desenvolvido desde 2019 pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas NEABI Diva Rodrigues vinculado a UNIPAMPA Campus de Itaqui, o qual objetiva a implantação do Centro de Memória do Clube Cassino (antigo clube social negro); a proposta do Centro de Memória pretende preservar o patrimônio material e imaterial representado pelo clube e resgatar a memória coletiva da população negra de Itaqui, a qual deve permanecer em movimento, através da interação da comunidade em um espaço vivo, onde se produz e reproduz a história. A importância deste espaço está na visibilidade que proporciona para a cultura afro-brasileira, contribuindo para combater o estado de subalternidade a que os negros (as) foram submetidos, historicamente. Após a abolição da escravatura no Brasil, como demonstra o sociólogo Florestan Fernandes, não foram dadas condições ao povo negro de inserção na sociedade, pois foram sonegadas condições de acesso à terra, à educação e a postos de trabalho melhor remunerados. No Brasil, este processo está inserido em um racismo que associa as pessoas de Cor a uma posição de inferioridade, estabelecendo-se um processo de discriminação aos cidadãos negros, os quais são vistos como portadores de características morais indesejáveis e crenças religiosas consideradas perigosas, pois não respeitando o padrão cristão hegemônico. Neste contexto, surgem no Brasil os Clubes Sociais Negros, os quais se constituem em espaços de resistência e preservação cultural; pode-se afirmar que diante do impedimento da população negra em frequentar os espaços de lazer destinados somente aos brancos, há uma necessidade de criação de outros espaços de sociabilidade e solidariedade, enfatizando-se seu papel de acolhida e apoio em ações de cunho social. Nesse contexto social, em Itaqui funda-se o Clube Cassino em 1949, tendo como frequentadores negros e brancos pobres, mantendo-se como espaço privilegiado dos eventos da cultura negra de Itaqui até final do século XX. Apesar de ter sido fundamental para a população negra de Itaqui, com o passar dos anos, o Clube Cassino entra em decadência diante de um cenário onde os clubes sociais (inclusive os de brancos) enfrentam dificuldades financeiras (surgem outras formas de lazer e sociabilidade). O NEABI Diva Rodrigues em 2019 articula representações da sociedade itaquiense, representantes da Câmara de Vereadores, conselho municipal de cultura, escolas de samba, terreiros de religião de matriz africana e a direção do clube Cassino, visando a constituição do Centro de Memória; os pesquisadores do NEABI Diva Rodrigues desenvolvem investigação sobre a história e a cultura afro-brasileira de Itaqui, seu desenvolvimento e resgatam a expressão da memória coletiva presente nas lembranças e conhecimentos preservados; como ensina Maurice Halbwachs, este resgate retira do esquecimento parte desta memória, vivenciando-se a emergência de fragmentos que passam a fazer sentido ao serem confrontados com os relatos obtidos via oralidade ou presentes nos livros de história. Metodologicamente, esta investigação foi realizada através de revisão bibliográfica sobre conceitos relevantes, utilizando-se a história oral junto à ancestralidade negra e o estudo das atas das reuniões do clube cassino, como fonte documental de sua inserção na sociedade itaquiense; resgatou-se, também, fotos que representam a trajetória da comunidade negra junto ao clube cassino. Esta pesquisa sustenta as ações educativas que são realizadas junto aos estudantes e professores da educação básica; em novembro de 2022, as escolas da rede municipal trarão seus estudantes para conhecerem o espaço do centro de memória e a trilha da negritude como um percurso percorrido por negros e negras e suas construções sócio territoriais; neste momento, destacam-se a participação de escolas de samba e dos terreiros, além dos grupos de capoeira. As parcerias que envolvem, também, o poder público municipal, mobilizam-se no sentido de recuperar o patrimônio material e aprofundar as relações com a sociedade. Ressalta-se o trabalho de comunicação efetivado pelo NEABI Diva Rodrigues, visando consolidar a imagem do projeto junto à sociedade de Itaqui, utilizando-se as rádios e as redes sociais (facebook e instagram). Observa-se que este projeto propicia a visibilidade para a história e cultura afro-brasileira de Itaqui, promovendo um espaço educacional que mantém viva a memória coletiva produzida pela população negra. A Universidade tem contribuído na captação de recursos e nos encaminhamentos técnicos constantes do projeto e, principalmente, na articulação dos agentes envolvidos.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MEMÓRIA E RESISTÊNCIA NEGRA: O CASO DO CENTRO DE MEMÓRIA DO CLUBE CASSINO-ITAQUI. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113212. Acesso em: 11 jun. 2026.