VISITA DOMICILIAR MULTIPROFISSIONAL EM INDIVÍDUOS ACOMETIDOS POR AVC: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Acidente, Vascular, Cerebral, Visitas, Domiciliares, Atenção, Primária, Saúde, Prática, MultiprofissionalResumo
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro são ocluídos ou se rompem, provocando a morte celular de uma determinada área cerebral sendo classificado como do tipo hemorrágico ou isquêmico. A Atenção Primária em Saúde, componente do Sistema Único de Saúde (SUS), que engloba as Estratégias de Saúde da Família (ESFs), atuando de forma descentralizada e localizada próxima das comunidades, possui uma Linha de Cuidado específica ao paciente acometido por AVC, na qual compreende-se diretrizes de orientações profissionais e de cuidados diários a serem dadas aos pacientes e aos cuidadores. Dessa forma, para o cuidado em saúde ser mais eficaz, as visitas domiciliares (VDs) permitem a proximidade das equipes de saúde com pacientes e familiares facilitando a realização de práticas de promoção e recuperação em saúde. A prática com uma equipe multiprofissional nesses casos, surge como uma oportunidade de perspectiva da construção de saberes coletivos. Diante disso, este trabalho tem por objetivo relatar a importância do trabalho multiprofissional na atenção à saúde de pacientes com AVC, a partir da experiência vivenciada em uma atividade extensionista por acadêmicos de cursos da saúde em visitas domiciliares no território de uma ESF. Trata-se de um relato de experiência pautado em ações de extensão executadas por bolsistas do Programa de Educação Tutorial Práticas Integradas em Saúde Coletiva (PET PISC) vinculado à uma ESF em um bairro da periferia no município de Uruguaiana, entre os meses de julho e agosto de 2022. As VDs foram selecionadas pela equipe de saúde conforme as demandas de saúde da comunidade. Em conjunto com profissionais da unidade, Técnicos em Enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde, as ações foram realizadas nos domicílios de dois pacientes do sexo masculino, acometidos por AVC isquêmico, em fase pós alta hospitalar. Quanto às características domiciliares, as residências apesar de localizadas em zonas de difícil acesso devido à falta de pavimentação das vias, apresentavam boas condições de higiene em seu interior. Os procedimentos realizados foram avaliação de Enfermagem, efetuada por dois acadêmicos de Enfermagem, com aferição de sinais vitais e glicose, ambos estáveis, e avaliação de Fisioterapia, efetivada por duas acadêmicas de Fisioterapia, com avaliação respiratória, amplitude de movimento, força muscular e reflexos. Em um dos casos, o paciente idoso se encontrava restrito ao leito, com dor em membros inferiores. Já o outro paciente, mais jovem, se encontrava utilizando cadeira de rodas, com reflexos presentes, porém com dificuldade de locomoção, força muscular diminuída, na qual foi proposto e executado exercícios motores. Ambos apresentavam paralisia parcial do hemicorpo direito, com restrição de movimentos relacionados ao hemisfério cerebral acometido pelo AVC. Após as avaliações, os pacientes e cuidadores foram orientados quanto ao autocuidado, tais como controle de sinais vitais constantemente, medidas farmacológicas para controle de dor, recomendação de posicionamentos que podem melhorar sua condição no leito, e exercícios que podem ser realizados na rotina diária para melhorar a função muscular e condição dos movimentos corporais. Após a realização das visitas, a equipe, juntamente com os acadêmicos, discutiram os casos, considerando aspectos sociais e biológicos para um plano de cuidado coletivo. Através da ação pode-se visualizar resultados favoráveis, destacando-se a importância das VDs aos pacientes envolvidos, por se tratar de uma região de periferia, onde a referência em saúde é unicamente dada pela ESF, e o acesso à saúde fica de certo modo restrito à essa unidade por questões econômicas e sociais. A atividade também proporcionou aos pacientes e cuidadores orientações para melhor qualidade de vida e hábitos diários, obtendo boa adesão e interação dos mesmos. Além disso, as práticas multiprofissionais entre acadêmicos e profissionais de saúde foram de grande valia aos envolvidos, por se tratar de trocas de conhecimentos e atualizações entre os cursos, e experiência de realização de práticas muitas vezes não vivenciadas no seu curso de formação. Contudo, evidencia-se a importância da realização das atividades extensionistas para acadêmicos, pacientes e ESF, visto que as VDs proporcionaram uma proximidade com os pacientes alcançados, e maior garantia de cuidado pós AVC pela equipe de saúde, podendo-se contribuir na qualidade de vida desses usuários. Ademais, para os acadêmicos as ações e a prática multiprofissional em conjunto com a equipe de saúde da unidade, proporcionou conhecimentos extras aos vistos englobados na grade curricular na academia, bem como vivências sociais por se tratar de um território de periferia, assim formando-se futuros profissionais de saúde com olhares mais humanistas, no modelo biopsicossocial.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
VISITA DOMICILIAR MULTIPROFISSIONAL EM INDIVÍDUOS ACOMETIDOS POR AVC: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113110. Acesso em: 10 jun. 2026.