PERCEPÇÃO SOBRE A LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM UM BAIRRO DE URUGUAIANA/RS

Autores

  • Tatiana Klafke
  • Karina Dos Santos Ramos
  • Larissa Zuchetti Capelari
  • Rochelle Stefanny Maurante Soares
  • Daniela Dos Santos Brum

Palavras-chave:

zoonoses, leishmaniose, visceral, canina, extensão, universitária

Resumo

O convívio entre o homem e os animais remonta à antiguidade e esta relação vem estreitando-se com o passar dos anos. Este vínculo estreito pode acarretar na transmissão de doenças, denominadas zoonoses, principalmente em contextos onde os animais são privados de atendimento médico veterinário, sobretudo no que diz respeito à vacinação e vermifugação. A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é uma dessas zoonoses, sendo ela uma doença causada por protozoário do gênero Leishmania sp., transmitida por vetores do gênero Lutzomya sp. - flebotomíneo conhecido como mosquito palha, onde os cães funcionam como reservatórios eficientes do protozoário. Ambientes com acúmulo de matéria orgânica são os mais propícios para proliferação do flebotomíneo, e este é justamente o tipo de ambiente mais observado em bairros onde prevalece parte da população em situação de vulnerabilidade socioeconômica cuja fonte principal de renda é obtida através da comercialização de resíduos de material reciclável. Ainda é difícil saber se a população mencionada tem acesso à informações referentes a esta zoonose, com isso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a percepção desta população acerca do assunto por meio da aplicação de formulários. O grupo PET Veterinária, da Universidade Federal do Pampa, Campus Uruguaiana, através do seu projeto de extensão denominado 4 Patas, desenvolve um trabalho de conscientização da comunidade no que tange à guarda responsável de animais de companhia, bem estar animal, zoonoses e a importância da castração para o controle populacional de animais errantes. Uma das mais recentes ações do projeto contemplou visitas domiciliares ao bairro União das Vilas no município de Uruguaiana/RS, com o foco no objetivo deste trabalho, devido ao fato da Leishmaniose ser uma doença considerada endêmica no município, com crescentes casos nos últimos anos, tanto entre a população de cães domésticos quanto na medicina humana. As visitas ocorreram com periodicidade quinzenal, aos sábados, durante um turno do dia, onde o grupo subdividiu-se em duplas para seguir em roteiros diferentes pelas ruas do bairro. Em cada visita foram contemplados quadrantes diferentes e um mapeamento foi realizado com a finalidade de atingir a totalidade das residências. Foi aplicado um formulário aos residentes dos domicílios sobre o assunto, cujas perguntas foram, além do termo de aceitação de participação da pesquisa, a identificação do residente, endereço, o número de residentes, dentre eles quantas crianças, quantos cães encontravam-se abrigados em cada moradia, se estes possuíam acesso à rua, se os animais eram castrados, vermifugados, vacinados e se possuíam acesso a atendimento médico veterinário. Em um segundo momento foi aplicado um outro questionário sobre a Leishmaniose, o qual perguntava se os residentes já ouviram falar sobre a doença, se algum cão da residência a apresentava, se realizavam alguma forma de prevenção, quais formas de controle eram executados e, por fim, se na ocorrência de animais positivos para LVC, realizavam algum tipo de tratamento. Em um momento preliminar desta pesquisa, antes do término da coleta de dados, obtivemos 46 respostas ao formulário, onde a maioria dos lares visitados albergava cães (95%), e dentre esses 55% possuíam acesso à rua, 73% receberam alguma forma de vermifugação, 49% receberam algum tipo de vacina e apenas 18% eram castrados. Em relação à Leishmaniose, 69% dos indivíduos já ouviram falar sobre a enfermidade, no que diz respeito aos animais apresentarem a doença, 63% responderam negativamente, porém o restante dos entrevistados respondeu não saber se os animais apresentavam Leishmaniose, sendo assim em nenhum caso houve resposta positiva para a doença. 51% dos entrevistados não realizavam controle da LCV, 19% realizavam algum tipo de controle e o restante, 30%, afirmou não saber se era realizado algum tipo de controle. Dentre os que realizavam algum tipo de controle, 50% utilizavam a coleira repelente, e o restante utilizava algum tipo de inseticida ambiental ou repelente tópico. A partir da obtenção destes dados preliminares, concluímos que é necessário investir em um modelo eficiente de conscientização, podendo ser realizado através de cartilhas, assim como ações de conscientização junto à comunidade, contando com informações simples e assertivas sobre a Leishmaniose Visceral Canina, acerca da prevenção e controle da enfermidade, salientando a importância do conhecimento do caráter zoonótico da doença, tendo em vista a preocupante desinformação sobre a LCV bem como suas formas de prevenção e controle.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

PERCEPÇÃO SOBRE A LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA EM UM BAIRRO DE URUGUAIANA/RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113038. Acesso em: 9 jun. 2026.