RELATO DE CASO: NEFROTOMIA COM ACESSO PARACOSTAL EM CANINO ACOMETIDO POR DIOCTOPHYME RENALE
Palavras-chave:
dioctophyme, rim, verme, giganteResumo
O nematódeo Dyoctophyme renale, também conhecido como verme gigante do rim, causa uma doença chamada dioctofimatose. Há registro em animais de companhia, animais silvestres e em humanos, porém, tem maior incidência em cães não domiciliados. Sua predileção é pelo rim direito, porém, são encontrados em diversos locais, como cavidade abdominal e bolsa testicular. Os principais sinais clínicos são causados pela destruição do parênquima renal pelo nematódeo, ocorrendo geralmente cólica renal, disúria, hematúria, dor, perda de peso e inquietação. O tratamento é cirúrgico, através de nefrotomia ou nefrectomia para retirada do verme. Salienta-se que a nefrotomia pode ser feita quando há 10% de rim funcional melhorando o prognóstico, porém, devido a precocidade pode se tornar desfavorável ocorrendo à necessidade da realização de nefrectomia. Objetivou-se relatar um caso de nefrotomia em uma canina, fêmea, SRD, não castrada, pesando 7,5 kg, acometida por dioctofimatose, atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV-UFPel), e evidenciar a importância de políticas de conscientização, de exames de rotina, diagnóstico precoce para escolha da técnica cirúrgica adequada para melhora do prognóstico do paciente. O histórico da paciente era desconhecido, pois havia sido resgatada há 2 semanas, ela apresentou alterações dermatológicas e foram solicitados exames de rotina, sendo eles hemograma, bioquímico e urinálise. Os exames hematológicos se apresentaram inalterados, todavia, no exame de urina encontrou-se ovos de Dioctophyme renale, hematúria (20-30 /cga) e alta celularidade (1-3 /cga), assim, foi solicitado exame ultrassonográfico, onde obteve-se a visualização de estruturas cilíndricas e arredondadas, com contornos hiperecóicos e centro hipoecóico, compatíveis com verme do rim, presença de parênquima renal.Além disso, topografia hepática que poderiam indicar presença do mesmo livre na cavidade abdominal. Após a avaliação dos exames, optou-se pela retirada do verme através de nefrotomia no rim direito. Em bloco cirúrgico o paciente foi colocado em plano anestésico, posicionado em decúbito lateral esquerdo, feita a antissepsia e colocação de panos de campo o procedimento iniciou-se com uma incisão paracostal direita, caudal à última costela, localizou-se o rim direito, realizou-se a divulsão dos tecidos perirrenais com compressa até localizar o hilo renal, colocou-se um torniquete de Hommel na artéria renal para hemostasia temporária.Foi realizada uma incisão no polo dorsal do rim até a pelve renal de aproximadamente 2 centímetros, desta forma, foi possível a visualização e retirada de dois parasitos fêmeas de 37 e 18 centímetros de comprimento, respectivamente. Irrigou-se a cavidade renal com solução fisiológica aquecida. Para a rafia do rim utilizou-se sutura de Wolff com fio Poliglactina 910 (3-0) e sutura contínua simples. Removeu-se o torniquete, tendo como total de tempo de hemostasia 6 minutos e 46 segundos. Foi então realizada a inspeção da cavidade abdominal para a remoção do outro parasito, que se tratava de uma fêmea de 15 centímetros de comprimento localizada próximo ao fígado do lado esquerdo da cavidade. A cavidade abdominal foi irrigada com solução fisiológica aquecida e foi feita rafia da musculatura. A paciente encontrou-se estável e teve alta após dois dias de internação. A nefrotomia não é frequentemente utilizada como tratamento do Dyoctophyme renale, já que o diagnóstico geralmente é tardio por falta de exames de rotina e o parasito já é detectado com um comprimento maior com grande destruição do parênquima, fazendo com que o rim perca a sua capacidade de funcionamento. Porém, esta técnica é menos invasiva quando comparada com a nefrectomia, facilitando a recuperação dos pacientes e proporcionando que obtenham um prognóstico mais favorável, então, após a avaliação do paciente e dos exames de ultrassonografia e da presença do pulso arterial forte na artéria renal, foi optado pela nefrotomia, combinado com a avaliação ultrassonográfica que constatou presença de parênquima renal, pois quando existe 10% desse a recomendação é nefrotomia. Com acesso paracostal permite que haja melhor visualização e agilize o tempo cirúrgico, também melhorando o prognóstico. Conclui-se que é necessário a realização dos exames de rotina e acompanhamento com o médico veterinário, pois o Dyoctophyme renale pode acometer animais sem que haja sinal clínico de dioctofimatose, e que esse diagnóstico pode ser muito variado e que a precocidade está diretamente ligada ao procedimento cirúrgico escolhido. Salienta-se que o conhecimento da população acerca da doença, bem como dos médicos veterinários, evidencia a necessidade de políticas de conscientização, sobretudo em regiões endêmicas.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE CASO: NEFROTOMIA COM ACESSO PARACOSTAL EM CANINO ACOMETIDO POR DIOCTOPHYME RENALE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/113024. Acesso em: 10 jun. 2026.