A NOVA MPB: COMO O CONSUMO DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA MUDOU APÓS A ASCENSÃO DO SPOTIFY
Palavras-chave:
Música, popular, brasileira, Streaming, Consumo, Spotify, Indústria, fonográficaResumo
Com a evolução da tecnologia, a internet se tornou o principal veículo de comunicação, impactando várias áreas, incluindo artes como a música. Esse resumo tem como objetivo trazer um referencial teórico sobre a trajetória da música através das plataformas de streaming, em especial o Spotify e sua relação com os consumidores da música popular brasileira (MPB). Buscamos refletir sobre sua influência e papel histórico na sociedade, história e política brasileira, além de avaliar como a tecnologia influenciou o mercado e também a MPB, seguindo sua evolução e as mudanças do público consumidor, tanto mais velho, que está cada vez mais consumindo as tecnologias atuais, quanto o público mais jovem, que já cresceu e está habituado com elas. Como metodologia, trabalhamos com a pesquisa bibliográfica a partir de autores como Moschetta (2018), Napolitano (2002) e outras fontes documentais. Como resultados temos que a indústria fonográfica surgiu como um auxílio para artistas poderem comercializar suas criações, aliada à crescente evolução tecnológica. A música só foi começar a ser consumida e gravada de verdade com a criação do fonógrafo e do gramofone, por Emile Berliner. A maneira de ouvir música no mundo foi evoluindo juntamente com a tecnologia, passando pelo vinil nos anos 40, que criou uma nova lógica de mercado, com álbuns e singles, fitas nos 60, CDs nos anos 80, chegando na expansão da internet nos anos 90 e sendo marcada pela pirataria, muito forte no Brasil e facilitada pela tecnologia, com o download ilegal. Chegando na atualidade, com o streaming, nos anos 2010, plataformas desse gênero passaram a ser o principal método de consumo musical, Hoje, no Spotify, principal plataforma, compreende mais de 400 milhões de usuários (MEDIUM, 2018). No Brasil, a história da música começa a ser contada na colonização, onde é feita a descoberta da música indígena, que se une aos instrumentos europeus trazidos pelos jesuítas. Com a chegada dos negros, foi possível perceber uma grande movimentação cultural, porém, sem conseguir mudar o cenário musical brasileiro, já que esses se mantinham no trabalho escravo. A música só foi virar matéria nas escolas em 1854, onde os alunos recebiam noções de música e canto, através de um decreto oficial. Com o Movimento Nacionalista e a Semana de Arte Moderna em 1922, houve grande interesse em estudar e conhecer as raízes folclóricas do país, chegando enfim a música contemporânea, com a possibilidade de gravação pela Casa Edison, e então a criação da Música Popular Brasileira (MPB), que contava com gêneros musicais como o samba, a bossa nova e o rock brasileiro, entre outros. Um grande elemento da MPB é a presença de uma crítica velada à injustiça social e à repressão governamental, caracterizada pela ditadura militar, tornando a MPB um estilo intelectual e um um movimento político e social, já que ganhou o gosto de estudantes e intelectuais do país. Alguns representantes famosos foram Gilberto Gil, Roberto Carlos, Raul Seixas, Maria Bethânia, Rita Lee, Gal Costa, Chico Buarque e Novos Baianos. Entre as principais vertentes estão a Jovem Guarda, voltada para o rock e a Tropicália, mais descontraída. A MPB marcou tanto a história da cultura brasileira que acabou sendo parte dela, se tornando um estilo para um público mais culto e consequentemente mais velho, que aprecia as críticas e a profundidade das letras, que vão de encontro às músicas atuais, consumidas principalmente por um público mais jovem e com maior afinidade com a tecnologia. Atualmente, são 165,3 milhões de usuários da internet no país (DATAREPORTAL, 2022) e 97% das pessoas idosas a utilizam (VAREJO S.A., 2021). Esse uso crescente fez com que esse público visse na tecnologia uma forma de consumir músicas de sua época com facilidade, assim como o público jovem acabou sendo influenciado e inspirado pela MPB, pois, com a maior praticidade de acesso, por conta da disponibilidade no Spotify, se tornou um estilo atemporal. Conclui-se que o streaming mudou a forma de consumo da MPB. Após o estudo realizado é possível perceber que a inserção da música na sociedade sofreu grandes transformações com o passar das décadas e com o desenvolvimento tecnológico. Neste contexto, infere-se que há uma diversidade de públicos que compõem os usuários do Spotify, e ambos são influenciados pela MPB de diferentes maneiras. Enquanto os mais velhos ouvem por ser música da sua época, os mais jovens acabam descobrindo esse estilo e passam a consumi-lo, dentro da plataforma de streaming. O Spotify, sendo a maior plataforma, tem um grande papel, pois, não apenas consegue ser uma empresa que está aberta para diferentes públicos, como também fideliza-os trazendo maneiras mais simples de descoberta de novos repertórios. Pode-se dizer, que os públicos jovem e de outros segmentos de idade mais avançada andam juntos na era digital e ambos fazem descobertas igualmente, sendo unidos pela música, que continua sendo uma das maiores formas de arte e expressão.Downloads
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Publicado
2022-11-23
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A NOVA MPB: COMO O CONSUMO DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA MUDOU APÓS A ASCENSÃO DO SPOTIFY. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112663. Acesso em: 17 abr. 2026.