EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA CONTRA O ESTIGMA SOCIAL DE DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

  • Ana Beatriz Alves de Lima
  • Maria Izabel Claus Prato Bertei
  • Liamara Denise Ubessi
  • Veronica Alejandra Riquelme Martinez

Palavras-chave:

Educação, Popular, Saúde, Doenças, Infectocontagiosas, Atenção, Primária

Resumo

A Educação Popular em Saúde (EPS) pode ser descrita pela soma de práticas e conhecimentos baseadas na escuta, diálogo e ação. Construída a partir da compreensão da realidade de indivíduos e sendo entendida como ferramenta emancipatória relevante para a população, por estimular a autonomia, senso crítico e a responsabilização compartilhada do cuidado. As doenças infecciosas têm relevância para a saúde pública por associação direta a determinantes e condicionantes sociais. No atual cenário epidemiológico, são exemplos de doenças endêmicas, a tuberculose e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/HIV), problemas de saúde pública prioritários devido à sua magnitude. Ainda que 2021 apresente redução dos casos de tuberculose no Brasil e no mundo, os índices não são ideais. O Rio Grande do Sul mantém-se com grande concentração de casos de tuberculose e de coinfecção TB-HIV. A Atenção Básica à Saúde tem papel essencial no controle dessas doenças, no diagnóstico precoce e início ágil do tratamento, bem como promovendo ações de educação em saúde na comunidade, esclarecendo aspectos importantes, como formas de transmissão e medidas preventivas. Falta de conhecimento leva à estigmatização e discriminação, seja no ambiente familiar ou profissional. Considerando que o estigma social sofrido pode levar a quadros de isolamento e/ou rejeição social, o incentivo ao fortalecimento de redes de apoio e disseminação de informação através de ações de EPS se mostra evidente. O objetivo desse trabalho é relatar experiência da ação de EPS contra o estigma social para com pessoas com agravos infectocontagiosos. Foi realizada ação de EPS com trabalhadores de uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Uruguaiana, em 25 de agosto de 2022. A atividade foi elaborada e mediada por discente do curso de medicina da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) junto a enfermeira responsável pela Estratégia de Saúde da Família (ESF) a qual o CRAS pertence, durante o estágio curricular em Medicina de Família e Comunidade. A escolha do tema agravos infectocontagiosos decorreu de demanda da equipe do CRAS ao procurar a ESF, por preocupações a partir do atendimento de um caso de coinfecção TB-HIV. A atividade buscou informar e possibilitar serem agentes transformadores no meio em que vivem, tornando o ambiente de trabalho um local acolhedor, unindo a equipe através do conhecimento adquirido. O material utilizado incluía explicações quanto à forma de transmissão, sintomas, tratamento e prevenção de quatro situações de saúde: HIV, tuberculose e hepatites B e C. A primeira parte da apresentação ocorreu de forma silenciosa e sem interações, possivelmente por medo. No entanto, ao expor sobre a tuberculose, surgiram perguntas, procurando informação e se afastando dos preconceitos. O ambiente ficou mais agradável, com olhos atentos e, inclusive, o trabalhador que motivou o pedido de apoio da ESF sentiu-se confortável o bastante para se expor e tirar dúvidas até do próprio tratamento. Os cuidados de prevenção foram pontuados e reforçados durante toda a ação. O grupo era bem heterogêneo, e mesmo com diferentes graus de instrução demonstraram compreensão do conteúdo, indicando utilização de linguagem acessível. Ao final, alguns dos presentes procuraram individualmente a acadêmica e a enfermeira para dúvidas não expostas ao grande grupo. A atividade apresentou deficiências, visto que alguns ouvintes demonstraram desatenção e desinteresse na atividade, talvez um exercício mais dinâmico tivesse uma adesão maior. Na semana seguinte o CRAS foi questionado quanto ao efeito da ação, sendo este positivo, tendo acolhido os medos e contribuído para a quebra de estigmas e melhora da convivência entre os participantes. Desse modo, é possível dizer que esta vivência gerou para os usuários, profissionais e acadêmica um espaço de troca e interação, permitindo a construção e desenvolvimento do processo educativo, além de estreitar o vínculo entre a ESF e o CRAS. Da perspectiva acadêmica, a ação colaborou com a formação da discente, realçando a importância de estar na comunidade, possibilitando transformar positivamente a vida de indivíduos, contribuindo para ruptura de estigmas sociais sofridos devido a enfermidades. É fundamental que estudantes de saúde tenham contato com a Educação Popular, pois, apesar de ser um recurso ainda pouco utilizado, é uma alternativa para problemas existentes na Saúde Pública. Mesmo que a ESF seja um local de acolhimento e de educação, por vezes, pelo alto fluxo de atendimentos e equipe de tamanho restrito, nem sempre é possível atender as dúvidas ou dar todas as orientações necessárias para fomento da autonomia dos usuários e garantir que possam guiar o próprio cuidado. Espera-se, portanto, que a EPS seja fortalecida e incentivada na Atenção Primária à Saúde e na graduação de medicina e outros cursos da área da saúde.

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Publicado

2022-11-23

Como Citar

EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA CONTRA O ESTIGMA SOCIAL DE DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 14, 2022. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/112602. Acesso em: 17 abr. 2026.