A AMOROSIDADE EM UMA PERSPECTIVA FREIREANA: ANÁLISE DE UM CURSO DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA VIA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Palavras-chave:
Amorosidade, Paulo, Freire, Inclusão, escolarResumo
Percebendo, no atual contexto educacional e político a nível estadual e nacional, a amorosidade entre educadores e educandos como uma categoria essencial à prática educativa em uma perspectiva de educação libertadora (FREIRE, 2019), este trabalho tem como tema a amorosidade na perspectiva de Paulo Freire, sendo o seu objetivo principal compreender o conceito de amorosidade em Paulo Freire, investigando as contribuições para promoção de práticas pedagógicas inclusivas na rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul. Para alcançar o referido objetivo, foi realizado, no município de Bagé, cidade localizada na região Sul do estado do Rio Grande do Sul, uma pesquisa qualitativa de intervenção pedagógica (DAMIANI et. al., 2013) através de um curso de formação docente cuja temática foi a amorosidade na perspectiva freireana (FREIRE, 1993, 1996, 1997, 2001 e 2019). O curso, intitulado Princípios e fundamentos da amorosidade em Paulo Freire teve dois objetivos: o primeiro foi oportunizar e fomentar a formação continuada das professoras participantes e sensibilizar as docentes às teorias e às práticas pedagógicas freireanas. O segundo objetivo era coletar, através das falas e demais produções das participantes nos encontros, dados para pesquisa em nível de dissertação de Mestrado da pesquisadora que ministrou a ação de extensão. Dessa forma, a coleta de dados foi realizada durante o mês de abril de 2021, via Google Meet, com oito professoras estaduais atuantes em escolas que ofereciam o ensino fundamental e/ou ensino médio em Bagé. Foram um total de quatro encontros síncronos e as participantes realizaram leituras de textos freireanos e atividades assíncronas durante as semanas de curso, que teve carga horária de 20 horas. No que tange a coleta de dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: os discursos verbalizados (de forma oral ou escrita) nos encontros do curso de extensão e questionário de avaliação, com questões abertas de avaliação geral do evento e também perguntas acerca de conceitos freireanos trabalhados no decorrer dos quatro encontros do curso, instrumento disponibilizado às participantes no final da formação. Após a realização do curso, os dados foram analisados através da metodologia de análise proposta por Laurence Bardin, a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2009). Como resultado, as participantes indicam a presença de amorosidade em sala de aula, a compreensão do termo em uma perspectiva freireana, observando a amorosidade como um conceito além de simples gestos amorosos e descompromissados, mas sim como algo revolucionário, e apontam práticas pedagógicas dialógicas em sala de aula que contribuem para a inclusão de alunos em situação de exclusão escolar por diversas razões, tais como deficiência, etnia, classe social, entre outros. Porém, as participantes também assinalam para a existência de práticas bancárias em razão, sobretudo, da ausência de gestão democrática e também violência simbólica (BOURDIEU, 1998) sofrida pelos professores da rede estadual de ensino, o que desencadeia a perpetuação da desvalorização docente e também promove a desprofissionalização docente na visão das participantes. Em conclusão, sinalizamos para o preocupante enfraquecimento da educação pública através da desvalorização e desprofissionalização docente, dos salários imorais e do sucateamento das escolas estaduais gaúchas bem como indicamos que a escola pública e a educação popular resistem no Rio Grande do Sul através da luta corajosa de professoras e de professores que ainda ousam esperançar e amar.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A AMOROSIDADE EM UMA PERSPECTIVA FREIREANA: ANÁLISE DE UM CURSO DE FORMAÇÃO PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA VIA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110474. Acesso em: 3 maio. 2026.