FIBROSSARCOMA EM GLÂNDULA MAMÁRIA DE ÉGUA MANGA LARGA MACHADOR
Palavras-chave:
Neoplasia, mamária, fibrossarcoma, CAAFResumo
A incidência de doenças de úbere em éguas é baixa quando comparada com outros mamíferos domésticos. As neoplasias em glândula mamária são ainda mais raras, e os métodos de diagnóstico são subutilizados devido às limitações encontradas em animais criados à campo e distância de centros de diagnóstico. Os sinais clínicos encontrados na glândula mamária afetada são aumento de temperatura local, dor a palpação e ulceração cutânea, podendo regredir parcialmente com o tratamento para mastite, mas retornam assim que o tratamento é interrompido. A diferenciação clínica entre mastite e neoplasia mamária é um grande desafio, e a citologia aspirativa é uma ferramenta prática, rápida e valiosa no diagnóstico diferencial. Quando a citologia é inconclusiva, o diagnóstico definitivo deve ser baseado no exame histopatológico de uma biópsia do tecido afetado. O exame ultrassonográfico do úbere pode ser útil no diagnóstico de neoplasias, especialmente quando associado a detecção de linfadenopatia ilíaca através da palpação retal. Entre as neoplasias de úbere, carcinomas, adenocarcinomas, melanomas, mastocitomas e linfossarcomas são ocasionalmente relatados. Mesmo que seja apenas uma medida paliativa, a remoção cirúrgica da neoplasia maligna deve ser realizada, e ainda assim o prognóstico permanece reservado devido a proliferação de micrometástases. O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de fibrossarcoma em glândula mamária de uma égua da raça Manga Larga Marchador. Foi encaminhada para a Horse Vet Hospital de Equinos (Araxá, MG), uma fêmea tordilha de 12 anos de idade para controle de dinâmica folicular e inseminação artificial. No entanto, ao exame físico a paciente apresentou aumento de volume, de temperatura, e ulceração cutânea na glândula mamária direita. Os achados levaram a suspeita clínica de mastite, para o qual foi instituída a terapia. Após a inseminação, a égua foi liberada para retorno à propriedade de origem, e passados quinze dias, a equipe veterinária se deslocou até o local para realização do diagnóstico de gestação. Neste momento, observou-se agravo dos sinais clínicos com remodelação do úbere por nodulações de aspecto firme, secreção serossanguinolenta através do tecido fistulado e discreto edema ventral. A partir de então, foi realizado exame ultrassonográfico, no qual foram constatadas áreas de ecogenicidade heterogêneas, com massa hiperecoica entre estruturas anecoicas, conduzindo ao diagnóstico sugestivo de neoplasia mamária. Para diagnóstico diferencial, foi realizada coleta de material pela técnica de aspiração com agulha fina e técnica de imprinting, onde o estudo citológico apresentou morfologia celular compatível com fibrossarcoma. Fibrossarcomas são neoplasias histologicamente constituídas por células fusiformes pleomórficas dispostas em feixes entrelaçados e suportados por um estroma de colágeno. Em pequenos animais, a exérese tumoral em adjunto a terapias de suporte, incluindo radiação, quimioterapia, e imunoterapia, possuem efeitos vantajosos na recuperação. Existem relatos de quimioterapia e radioterapia para alguns tipos de tumor em equinos, no entanto, o custo e dificuldades de administração dessas terapias os torna inacessíveis para a maioria dos casos. A excisão sem terapias adjuvantes costuma apresentar recidivas, especialmente quando o tumor não é retirado com margens de segurança. No presente relato, as opções terapêuticas apresentadas foram mastectomia unilateral com associação de quimioterápicos, no entanto, não houve interesse por parte do proprietário. De acordo com os relatos de neoplasias malignas encontrados na literatura, a sobrevivência a longo prazo é baixa mesmo que sejam realizados tratamentos radicais. A baixa incidência de neoplasias mamárias em equinos justifica a conduta inicial para mastite tomada por muitos profissionais nos casos já relatados. Por mais que seja rara a incidência em éguas, as neoplasias de úbere devem ser consideradas, pois o tempo em que a alteração é negligenciada pode favorecer o desenvolvimento de nódulos e metástases, comprometendo ainda mais o prognóstico.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
FIBROSSARCOMA EM GLÂNDULA MAMÁRIA DE ÉGUA MANGA LARGA MACHADOR. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110317. Acesso em: 1 maio. 2026.