LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE EM CÃO: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
corticoterapia, dermatologia, canina, doença, autoimuneResumo
As dermatoses caninas têm grande importância na clínica médica de pequenos animais, dentre elas, as dermatopatias autoimunes apresentam entre 0,3 a 1,4% de ocorrência na casuística. Dentre as dermatopatias autoimunes, o Lúpus Eritematoso Discoide (LED) é a segunda dermatopatologia mais diagnosticada em cães. Embora de baixa ocorrência na casuística de cães, o LED apresenta uma importância significativa pelo variado número de diagnósticos diferenciais, assim como, pela severidade da doença, exigindo conhecimento e experiência clínica para diagnosticar e conduzir a terapêutica mais adequada. O LED é uma dermatose autoimune benigna, e que, segundo autores, se manifesta devido ao desenvolvimento de autoanticorpos e imunocomplexos. Apresenta uma etiopatogenia ainda não bem esclarecida, mas estudos demonstram que alguns fatores contribuem para o surgimento ou agravamento das lesões, tais como, a predisposição genética de algumas raças (Border Colie, Pastores, Huskie Siberiano, entre outras) e a exposição à radiação ultravioleta. Estudos comprovam que a exposição ao sol exacerba as lesões em 50% dos casos, principalmente pela formação de uma cascata inflamatória, causando destruição dos componentes da derme e epiderme, resultando em uma reação imunomediada local e de forma crônica. Não há uma predisposição por sexo nem por idade, entretanto, alguns autores afirmam que o LED é mais frequente em animais de dois a cinco anos de vida. O objetivo deste trabalho foi relatar um tratamento bem sucedido, utilizando terapia tópica e sistêmica aliada a alterações de manejo do paciente. Foi atendido um animal da espécie canina, sem raça definida, fêmea, de 8 anos de idade, com histórico de lesão bilateral em plano nasal com aspecto erosivo, ulcerado e crostoso, há aproximadamente dois anos. Na anamnese a tutora relatou que há um ano e meio, estava administrando corticoides, na qual apresentava melhora significativa, porém, a cada interrupção do uso do medicamento, havia recidiva e progressão da lesão. Durante o exame físico, o animal encontrava-se com os parâmetros vitais dentro da normalidade, mas apresentava sobrepeso. Foi realizada citologia esfoliativa da lesão, apesar da citologia não ter valor diagnóstico para o LED, a rapidez diagnóstica serviu para descartar doenças causadas por parasitas, bactérias, fungos e protozoários. Na análise da amostra citológica notou-se infiltrado inflamatório neutrofílico e células epiteliais degeneradas com citoplasma basofílico, sugestivo de LED. Diante do resultado da citologia, o paciente foi submetido a sedação e anestesia local para a realização de coleta de amostra através de punch dermatológico, para a realização de exame histopatológico. A coleta foi realizada na borda da lesão, incluindo parte da área acometida e parte saudável, seguida por dermorrafia. O resultado do exame histopatológico evidenciou dermatite de interface liquenóide linfohistiocitária e supurada, associada a vesículas subdérmicas pobremente celulares, compatível com lúpus eritematoso discoide. O tratamento instituído foi prednisolona (2mg/kg, SID, VO) por 20 dias, protetor solar fator 30 (BID, tópico), uso contínuo, e, creme a base de betametasona (BID, tópico) por 20 dias. Foi orientado ao tutor que evitasse a exposição do animal aos raios ultravioletas nos horários de maior intensidade solar (das 10h às 17h). Foi agendado retorno para reavaliação após 20 dias de tratamento. Na data do retorno, o paciente apresentava melhora significativa das lesões e foi reajustada a dose do medicamento para prednisolona (1mg/kg, SID, VO) e foi mantida a prescrição tópica do creme de betametasona e o protetor solar fator 30. O tutor foi orientado que após 90 dias de tratamento, fosse realizado novamente um retorno do paciente, para reavaliação e realização de exames de hemograma, bioquímico e urinálise, para avaliação geral do paciente, já que o uso prolongado de glicocorticoides pode ocasionar disfunções hepáticas, renais e hormonais. Embora o risco de uso prolongado de glicocorticoide possa acarretar efeitos adversos, o prognóstico de LED em cães é favorável e, na maioria dos casos, com o tratamento adequado alcança-se a remissão das lesões. Contudo, na maioria das vezes, a terapia deve ser realizada por toda a vida do animal. O relato evidencia a importância de o médico veterinário estar sempre atualizado em relação às patologias, sabendo realizar uma anamnese abrangente, uma avaliação física minuciosa e principalmente conhecer os meios diagnósticos para chegar ao diagnóstico definitivo e escolher o melhor tratamento para as patologias. No caso do LED, que as características lesionais da patologia se assemelham com outras doenças dermatológicas, possuindo uma vasta gama de diagnósticos diferenciais, e além disso, a especificidade do exame, tornam o diagnóstico definitivo desafiador.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 2, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110316. Acesso em: 30 abr. 2026.