O EDITORIAL COMO FONTE DE CREDIBILIDADE FRENTE ÀS DESINFORMAÇÕES DA PANDEMIA NO BRASIL
Palavras-chave:
Editorial, Jornalismo, opinativo, Pandemia, DesinformaçãoResumo
O gênero opinativo é um dos mais destacados dentro do jornalismo, ao lado do informativo, e durante muitos anos foi predominante em vários jornais. Existem diferentes tipos de textos opinativos presentes no jornalismo. Dentre estes, o editorial se caracteriza por adquirir um peso e responsabilidades maiores, ao representar a opinião de uma mídia/empresa jornalística, e não somente a opinião de um jornalista individualmente. Por este motivo também, em geral os editoriais são escritos por um grupo de jornalistas especializados e experientes. Desde o início da pandemia da Covid-19, em meados de 2020, até o presente momento em 2021, as desinformações e o negacionismo têm dificultado o combate ao vírus. Neste contexto, é importante entender como os editoriais jornalísticos têm buscado assumir seu papel na conscientização das pessoas sobre a pandemia. Analisar os editoriais permite perceber os esforços das mídias jornalísticas no reforço da necessidade do uso de máscaras, distanciamento social e, mais recentemente, na campanha de vacinação. As empresas jornalísticas, através dos editoriais, trabalham para se colocar como fontes de opinião de credibilidade e confiáveis junto aos seus leitores, visando colaborar no combate às desinformações e negacionismo associado à pandemia da Covid-19. Para demonstrar o papel dos editoriais como fontes de credibilidade frente às desinformações da pandemia no Brasil, optou-se por fazer uma análise textual de um conjunto de editoriais do Jornal Zero Hora (GZH) e da Folha de São Paulo (Folha). Em virtude das limitações de tempo e espaço, foram selecionados 14 editoriais de GZH e 19 editoriais da Folha, referentes ao período de 3 de março de 2021 até 29 de agosto de 2021. A metodologia do trabalho objetivou a análise dos argumentos e características textuais dos editoriais, com o procedimento de análise voltado a observar como as mídias jornalísticas posicionaram-se e que dados, exemplos foram descritos nos textos para justificar tais posições. Sendo assim, observou-se nos textos analisados o uso de dados estatísticos, o amparo constante na ciência e em opiniões de órgãos e autoridades sanitárias como estratégias argumentativas. Isto de modo a reforçar a necessidade do uso de máscaras, distanciamento social e principalmente a eficácia, segurança e benefícios da vacinação no Brasil. Além disso, notou-se a comparação com outros países, onde, por exemplo, a vacinação possibilitou a redução do contágio e a retomada econômica. Desse modo, as mídias jornalísticas buscaram desconstruir qualquer desconfiança da população sobre os efeitos da vacina, dando ênfase nos resultados positivos que ela gerou na redução do número de pessoas internadas e de mortos. Foram feitas ponderações sobre a importância de informações de fontes confiáveis e de especialistas da área de saúde, demonstrando a ligação entre o jornalismo profissional e a ciência. Nos editoriais, foram identificadas críticas ao negacionismo e às desinformações disseminadas em torno da pandemia, e também ao papel errático e confuso do governo Bolsonaro durante este período. Principalmente na figura do próprio presidente, condenado diversas vezes, tanto por GZH quanto pela Folha, por sabotar as medidas sanitárias no país e a campanha de vacinação. No conteúdo dos textos, percebeu-se uma preocupação com a possível retomada desenfreada das atividades econômicas, sem a observação dos protocolos de segurança sanitária. Os jornais também refletiram sobre os possíveis impactos da variante Delta no Brasil e sobre a imagem do país no mundo, abalada em virtude do negacionismo e dos números altos de contaminados e mortos pelo vírus, além dos percalços e atrasos na compra de vacinas. Tendo em vista o conjunto de editoriais escolhidos, concluiu-se que estes se apresentaram como fontes de credibilidade frente às desinformações sobre a pandemia no Brasil. A partir da busca por reforçar a necessidade de uso de máscaras, distanciamento social e estímulos à campanha de vacinação, concluiu-se que a postura dos jornais visou combater o negacionismo, apontar os equívocos do governo Federal na condução da pandemia, e se posicionar ao lado da ciência. Ainda que a análise textual aqui realizada tenha suas limitações, ela oferece a possibilidade de refletir sobre o papel chave do jornalismo durante a pandemia no Brasil, tanto ao dar voz e ênfase para os especialistas da área da saúde, como no combate às desinformações. O que reforça a importância do jornalismo para a sociedade brasileira.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O EDITORIAL COMO FONTE DE CREDIBILIDADE FRENTE ÀS DESINFORMAÇÕES DA PANDEMIA NO BRASIL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110287. Acesso em: 14 abr. 2026.