ENSINO DA DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA DA QUÍMICA, ATRAVÉS DE UM JOGO ADAPTADO PARA ALUNOS SURDOS
Palavras-chave:
Ensino, Química, Lúdico, Inclusão, EscolarResumo
Introdução: A falta de materiais adaptados, conforme suas necessidades específicas, dificulta o processo de aprendizagem de alunos surdos, uma vez que, eles enfrentam desafios todos os dias, e na escola as dificuldades podem ser maiores, começando pela barreira linguística entre os membros da comunidade escolar e o aluno surdo, a falta de profissionais de Intérprete de Língua de Sinais dentro da sala de aula, e a falta de adaptações pedagógica, por parte dos professores, nas instituições de ensino. Por isso, se reinventar, repensar as aulas e buscar uma forma de atender a todos os alunos, seja com deficiência ou sem, não é uma tarefa fácil, e para que os professores consigam planejar as adaptações necessárias, eles precisam ser, também, criativos, proporcionando assim o ensino e a aprendizagem a todos. Sabe-se que o ensino de química do primeiro ano, do ensino médio, é um tanto complexo inicialmente, pois trata sobre a estrutura atômica, sendo esse conteúdo, de certa forma, abstrato, por ser uma partícula muito pequena. Para alunos surdos essa dificuldade torna-se ainda maior, pois estes utilizam o visual para a apropriação do conhecimento, visto que sua língua, Língua de Sinais, é de modalidade visual e espacial, necessitando de materiais bilíngues adaptados para sua melhor compreensão. Entretanto, estes recursos de adaptações de materiais didáticos e metodologias inovadoras, com enfoque bilíngue, nem sempre estão disponíveis para uso de professores e alunos. Com isso, a partir da proposta da disciplina eletiva de LIBRAS II, do curso de licenciatura em Química do Instituto Federal Farroupilha, elaborou-se um jogo para o ensino de química, que se constitui em Bingo do Diagrama de Linus Pauling adaptado para alunos surdos. Objetivo: Relatar a experiência ao desenvolver uma proposta pedagógica adaptada, diante do conteúdo de distribuição eletrônica, através do Jogo Bingo, incentivando a inclusão escolar de alunos surdos. Metodologia: Para isso, a primeira etapa de criação foi planejar o desenvolvimento do material adaptado com o intuito de auxiliar o aluno surdo na aula de química, considerando os aspectos mais importantes do conteúdo de distribuição eletrônica. A partir disso, para adaptação do jogo Bingo foram elaboradas dez cartelas bilingues impressas, contendo nove elementos diferentes da tabela periódica, dispostos de forma aleatória, todos com seus respectivos sinais, em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e tradução, em Língua Portuguesa. Já para o sorteio dos elementos químicos, a serem marcados nas cartelas, foram impressos números, dos respectivos elementos dispostos nas cartelas, indicando os números atômico. Para jogar, o professor deve separar a turma em grupos ou duplas. Assim, ele faz o sorteio do número atômico, por exemplo, o número quatro do elemento berílio, este estará em Língua de Sinais (4) e na Língua Portuguesa (4), e mostrará para turma. O aluno deverá conferir, na sua cartela, onde está toda distribuição eletrônica, referente ao número atômico sorteado, no caso do berílio é 1s22s2 (ou 1s2 2s2 em Libras). O aluno, com sua cartela em mãos, precisa verificar se contém na cartela o elemento químico mostrado pelo professor. Então, o aluno ou o grupo que preencher primeiro toda cartela, conclui a dinâmica do bingo. Resultados: Elaborar um material adaptado, de fato, não é algo fácil, pois exige planejamento, dedicação, conhecimento do tema, criatividade e pesquisa sobre como pode ser feito aquele recurso didático. No que se refere a adaptação para surdos, a busca pelos sinais específicos para a área de química foi bem meticulosa, pois há pouca literatura que auxilie disponibilizando os sinais destes conceitos. Essa proposta contou com a orientação da professora da disciplina de LIBRAS, contribuindo positivamente para que numa futura docência, os acadêmicos de química compreendam que por mais que seja difícil elaborar e executar uma adaptação é possível realizá-la, pois podem contar com vários outros recursos como softwares, aplicativos de LIBRAS, tecnologias assistivas, entre outros. Com isso, ao encarar o desafio de realizar essa adaptação, efetivamente faz com que nos reconheçamos mais preparadas para atuar no processo de inclusão escolar. Acredita-se que esta proposta lúdica e bilíngue, poderá auxiliar os alunos surdos a compreender como ocorre o processo de distribuição eletrônica dos elementos da tabela periódica, e sua aplicabilidade promoverá a inclusão entre colegas ouvintes e surdos, uma vez que, esse jogo tem adaptação tanto para a Língua de Sinais quanto para Língua Portuguesa. Como toda aula teórica fica mais compreensível quando aliada a uma prática, seja experimentação ou alguma atividade lúdica, a utilização dos sinais em LIBRAS fará com que toda turma seja beneficiada nessa transposição de saber, pois o lúdico, além de aprender brincando, incentiva a interação entre alunos surdos e ouvintes, proporcionando uma aprendizagem inclusiva.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ENSINO DA DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA DA QUÍMICA, ATRAVÉS DE UM JOGO ADAPTADO PARA ALUNOS SURDOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110219. Acesso em: 14 abr. 2026.