RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AULAS PRÁTICAS NA DISCIPLINA DE ANATOMIA HUMANA EM TEMPOS DE PANDEMIA
Palavras-chave:
Adaptação, ao, ensino, remoto, Anatomia, Humana, MedicinaResumo
O ensino de Medicina na UNIPAMPA tem como objetivo articular o ensino teórico com o não teórico, a fim de promover uma formação plena por parte dos estudantes, para que estes estejam aptos a atuarem nos mais diversos sistemas de saúde. No início do curso, uma das disciplinas ofertadas é a anatomia humana, com o objetivo de que desde o início da graduação o acadêmico tenha a oportunidade de ter contato com as estruturas que compõem o corpo humano, e a partir destas vivências, desenvolver um raciocínio acerca do funcionamento do mesmo. Contudo, frente aos desafios impostos pela pandemia, e a impossibilidade de aulas presenciais nas dependências institucionais, a Universidade se viu obrigada a adaptar o ensino prático de forma remota sem prejudicar o processo de aprendizagem. Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo apresentar a experiência do contato dos estudantes do curso de Medicina com as aulas práticas de anatomia entre os meses de fevereiro e setembro de 2021, compreendendo os dois primeiros semestres da graduação. O componente curricular de Anatomia Humana I e II, inserido respectivamente nas disciplinas de Processos Biológicos I e II, precisou passar por adaptações para prosseguir sendo ministrado, evitando a interrupção completa das atividades da graduação. Tal mudança implicou na migração das aulas do laboratório para a plataforma de reuniões Google Meet, onde a docente forneceu por meio de aulas expositivas, qual direcionamento deveria ser seguido pelos alunos em seus momentos de estudo autodirigido, com o intuito de articular os conhecimentos adquiridos nas sessões tutoriais com a prática. Adicionalmente, outras metodologias foram utilizadas para tornar o estudo ativo, se aproximando mais com o método de ensino PBL (Problem Based Learning), como por exemplo, a proposta de construção de um banco de imagens em alguma plataforma de criação de slides, desafiando o aluno a buscar em livros-textos e atlas, imagens de estruturas anatômicas que haviam sido solicitadas pela professora, o que além de instigar a curiosidade e a proatividade dos discentes, ainda auxilia no desenvolvimento do raciocínio de relações anatômicas, que era fomentado durante a busca. Outro método utilizado, foi o uso de aplicativos em forma de atlas 3D, tornando possível uma visualização mais próxima da realidade das estruturas corporais, esse último meio foi, sem dúvidas, o maior facilitador em alguns assuntos específicos de estruturas maiores, como os músculos e os ossos. Por último, uma terceira forma utilizada para o desenvolvimento de práticas na disciplina em termos de pandemia foram as avaliações, feitas tanto na forma de provas com foco mais teórico, como prático, o que ficou evidenciado com questionamentos orais ou jogos com palavras que remetiam a assuntos que estavam sendo estudados anteriormente. Nesse sentido, podemos destacar dados coletados através da plataforma Google Forms, no qual 23 discentes responderam (88,5% da turma do segundo semestre), que indicam que os alunos não se sentem seguros com relação às práticas que tiveram, distribuindo 95,7% (noventa e cinco vírgula sete por cento) de suas respostas entre parcialmente seguros e inseguros, além disso, outra questão relatada foram com respeito ao quão satisfeitos estes estavam em relação às práticas, onde foi possível constatar que 56,5% (cinquenta e seis vírgula cinco por cento) distribuem suas respostas entre sete e oito, e 34,7 % (trinta e quatro vírgula sete por cento) avaliam seu desempenho em um número igual ou inferior a seis. Outro fator avaliado foram as estratégias utilizadas, indicando que o aplicativo 3D juntamente com as aulas expositivas, foram as mais bem vistas estratégias na visão dos discentes, obtendo resultados de uma posição de destaque no formulário, com 87% , sugerindo que quanto mais perto o docente estiver dos discentes, maior o aproveitamento dos mesmos, o que de certa forma vai de encontro com a metodologia proposta pelo curso, uma vez que o PBL incentiva a autonomia do aluno, e não a dependência deste. Um último dado coletado diz respeito ao possível substituição do modelo presencial de ensino pelo remoto, onde foi obtido um percentual de 69.65% (sessenta e nove vírgula sessenta e cinco por cento) como algo que não seja possível de ser realizado, 30,4% (trinta vírgula quatro por cento) parcial, e nenhum voto à favor. Assim, com base no exposto, nota-se que através da utilização de ferramentas adequadas, seja possível aproximar as práticas feitas de forma remota com a realidade da profissão, diminuindo os prejuízos causados pela conjuntura atual do mundo. Entretanto, é válido destacar que esse modelo, embora tendência, não substitui as aulas presenciais, que são essenciais para a articulação e consolidação dos conhecimentos adquiridos de forma teórica, podendo ser utilizado apenas como medida emergencial, ou ainda de forma complementar aos ensinamentos construídos no laboratório.Downloads
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Publicado
2021-11-16
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE AULAS PRÁTICAS NA DISCIPLINA DE ANATOMIA HUMANA EM TEMPOS DE PANDEMIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 13, n. 1, 2021. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/110162. Acesso em: 14 abr. 2026.