A SALA DE ESPERA COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE
Palavras-chave:
Educação, Saúde, DCNTs, Sala, EsperaResumo
O presente texto apresenta uma experiência de sala de espera desenvolvida em uma Estratégia de Saúde da Família no município de Uruguaiana RS, para a disciplina Seminários Integrativos III do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa. Discutiu-se as Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs), que compõem um conjunto de condições crônicas que são multicausais, de progressão gradual, prognóstico incerto e duração indefinida. Portadores de condições crônicas e seus familiares convivem com seus problemas dia a dia, em um processo de cuidado contínuo, árduo e que nem sempre leva à cura. Assim, é importante fomentar o conhecimento do paciente a respeito de sua condição, possibilitando reduzir os sintomas e as complicações, tornando o usuário mais participativo nas práticas de saúde. Nesse contexto, a realização de ação de promoção à saúde com os pacientes com DCNTs foi pensada para explorar as experiências e objetivos compartilhados desses usuários com a horizontalidade típica de processos coletivos. A sala de espera é um ambiente favorável para a promoção de saúde pois proporciona discussão sobre as condições que acometem os indivíduos, bem como as estratégias de enfrentamento de obstáculos encontrados. Seu objetivo foi oferecer uma visão da prevenção e educação em saúde, através de abordagens de ensino aos pacientes abordando profundamente as DCNTs, os benefícios de seu tratamento e o que esperar sem intervenção, fomentando a autonomia e corresponsabilização do paciente. A ação aconteceu em quatro momentos: (1) Introdução às DCNTs (hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo II, asma e depressão); (2) Apresentação de guias de orientação aos usuários; (3) Dinâmica de Verdadeiro ou Falso e (4) Discussão aberta para compartilhamento de experiências e resolução de dúvidas. A dinâmica ocorreu em um dia de grande volume de atendimentos, possibilitando a presença de muitos usuários. O engajamento na participação foi gradual, aumentando ao longo da atividade, então foram expostos relatos de experiência, dúvidas, anseios referentes ao processo de saúde-doença e planos de cuidado. Percebe-se que os pacientes de DNCTs, em geral, passam por períodos de privação, principalmente no que se refere a hábitos de vida. Eles compartilharam esses anseios e, a partir deles, uma nova abordagem ao autocuidado pode ser trabalhada. O ambiente da ESF faz parte desse processo, por meio de cartazes, infográficos e imagens explicativas, informando didaticamente os usuários. A sala de espera é um ambiente de integração da equipe de saúde da família com seu usuário. O fortalecimento dessa relação viabiliza uma melhor aderência do paciente aos cuidados sugeridos pela equipe, auxilia na corresponsabilização, e retira o paciente da posição de receber cuidados, sem de fato empenhar-se em seu tratamento. O espaço da sala de espera é democrático, ouve as demandas daquele usuário, valida suas vivências, o que contribui para o autocuidado do portador de DCNTs.Downloads
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Publicado
2020-11-20
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A SALA DE ESPERA COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/106821. Acesso em: 28 abr. 2026.