OBSTRUÇÃO ESOFÁGICA RECORRENTE EM ÉGUA VÍTIMA DE MAUS-TRATOS RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Bem-estar-animal, Pneumonia, aspirativa, Sondagem, nasogástricaResumo
A obstrução intraluminal simples é a alteração esofágica mais comum na espécie equina, sendo a causa primária geralmente a ingestão de material impróprio. As patologias esofágicas em cavalos incluem obstrução, trauma, inflamação e distúrbios na motilidade. Independente da causa, a maioria dessas doenças resultam em disfagia ou bloqueio do trânsito alimentar. Os sinais clínicos podem incluir sialorreia, refluxo de conteúdo alimentar, tosse, secreção nasal, sudorese, episódios de cólica, e especialmente extensão de pescoço durante a tentativa de deglutição. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de obstrução esofágica recorrente em uma égua oriunda de resgate após denúncia de maus-tratos. Ao exame clínico, a égua mestiça de aproximadamente 6 anos apresentava secreção nasal esverdeada, tosse, estertor respiratório e severa emaciação. Foi instituído tratamento inicial com penicilina (20.000 UI/kg, IM, IV, SID/ 7 dias), meloxicam (0,6mg/kg, SID/ 3 dias) e cloridrato de bromexina (0,20mg/kg, IV, SID/ 3 dias). A oferta de alimentação a base de concentrado e feno de alfafa não foi consumida pela paciente. Após 10 dias, foi observado disfagia, sialorreia e refluxo nasal de saliva, alimento e água, conduzindo a suspeita de obstrução esofágica. Após sedação com detomidina (20 μg /kg), realizou-se a sondagem nasogástrica, no qual se constatou severa resistência à passagem da sonda no segmento esofágico caudal à laringe. Realizou-se a desobstrução, e após houve melhora imediata dos sinais de refluxo nasal durante a ingestão de água. A terapia com gentamicina (3,3mg/kg, IV, SID/ 5 dias), flunixin meglunine (1mg/kg, IV, SID/ 5 dias), ranitidina (2mg/kg, VO, SID/ 10 dias) e hemolitan (20ml, VO, SID) foi administrada. Recomendou-se alimentação restrita à base de volumoso e fluidoterapia diária com 10 L de Ringer lactato durante 4 dias. A partir da semana seguinte, ocorreram quadros de disfagia e refluxo nasal em diferentes graus, irresponsivos à sondagem nasogástrica. Após dois meses de terapia de suporte, houve agravamento dos sinais clínicos com perda significativa de peso e desidratação. Na palpação esofágica foi possível identificar um aumento de volume com aproximadamente 5cm de extensão. Com o intuito de reduzir o sofrimento animal, foi realizada a eutanásia da paciente. Na necropsia foi confirmado o aumento de volume na porção cervical do esôfago (10x5cm), com presença de alimento volumoso compactado cranialmente à uma lesão cicatricial transversa. Por ser um animal vítima de maus tratos, com acesso inadequado a comida e água, suspeita-se que tenha ingerido algum corpo estranho, causando a lesão da mucosa esofágica e estenose secundária à cicatrização. Conclui-se que o tratamento utilizado foi parcialmente eficaz para a desobstrução, sendo o tempo um fator adverso nos resultados insatisfatórios no decorrer do tratamento.Downloads
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Publicado
2020-11-20
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
OBSTRUÇÃO ESOFÁGICA RECORRENTE EM ÉGUA VÍTIMA DE MAUS-TRATOS RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 12, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/106679. Acesso em: 28 abr. 2026.