DISCUTINDO A VARIAÇÃO ENTRE NÓS E A GENTE COM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO
Palavras-chave:
Variação, linguística, 1, Nós, gente, 2, A, pronominal, 3Resumo
O trabalho aqui apresentado faz parte do projeto de pesquisa Variação linguística: descrição, ensino e formação de professores. Valendo-se dos fatos de que a variação é um dos principais objetos de estudo da sociolinguística e a língua varia de acordo com vários fatores linguísticos e extralinguísticos (MOLLICA, 2008), este trabalho tem como tema a variação existente entre o pronome conservador nós e a forma inovadora a gente no contexto da sala de aula, partindo do pressuposto de que em alguns livros didáticos a forma inovadora ou não é abordada ou, então, é abordada de forma inadequada (MARTINEZ, 2018). Logo, o objetivo desta pesquisa é analisar o processo de discussão sobre a variação entre nós e a gente no contexto da sala de aula. A forma inovadora a gente passou por um longo processo de gramaticalização, através de vários séculos, até ser, de fato, considerada um pronome (LOPES, 1999). A partir de estudos realizados (LOPES, 1998; 1999; OMENA, 1996a; 2003; BORGES, 2004; ZILLES, 2007; VITÓRIO, 2015), consegue-se perceber que a forma inovadora a gente tem tendência a ser mais utilizada por jovens e mulheres. Assim sendo, para a realização deste trabalho, foi planejada e aplicada uma oficina em uma turma de primeiro ano do ensino médio, de uma escola estadual do município de Bagé (RS). A oficina contou com atividades variadas, como elaboração do quadro pronominal, leitura de textos e realização de entrevistas, a fim de que os alunos percebessem o a gente pronominal, na função de sujeito. Para coleta de dados e posterior análise, as aulas em que a oficina foi aplicada foram gravadas em áudio e também foi produzido um diário reflexivo. Com a aplicação da oficina, pôde-se perceber que os alunos não tinham conhecimento sobre a forma inovadora a gente ser considerada um pronome pessoal, e, ao conhecerem sobre o processo histórico de gramaticalização da forma, se surpreenderam com o tempo que esta levou até se tornar um pronome. Ao realizarem entrevistas com diferentes faixas etárias e sexos, trouxeram dados importantes. Ao entrevistarem mulheres entre 15 e 25 anos, encontraram mais o uso de nós do que de a gente e, ao entrevistarem homens com faixa etária entre 50 e 60 anos, encontraram mais o uso de a gente do que de nós, diferentemente do que mostra a literatura. Sabendo que a variação linguística está presente no ambiente escolar, é papel do professor discutir com os alunos as diferentes variedades linguísticas existentes, sempre respeitando a variedade de cada aluno, sem basear-se na questão do certo ou errado. Deste modo, ao levar para a sala de aula a discussão sobre a variação entre nós e a gente, pode-se concluir que, mesmo utilizando a forma diariamente, os alunos não tinham conhecimento sobre o a gente ser considerado um pronome. Logo, este trabalho trouxe evidências de que a variação linguística pode não estar sendo abordada de forma adequada no contexto escolar.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
DISCUTINDO A VARIAÇÃO ENTRE NÓS E A GENTE COM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101580. Acesso em: 3 maio. 2026.