A CONCEPÇÃO DE LITERATURA INFANTIL NA DÉCADA DE 50 ATRAVÉS DA REVISTA DO ENSINO (RS)
Palavras-chave:
Revista, Ensino, Literatura, Infantil, LeituraResumo
Este trabalho faz parte da pesquisa Educação, História e Políticas na região de abrangência da Universidade Federal do Pampa e com ele busca-se fazer uma análise das concepções que envolviam a Literatura Infantil na década de 50 através da análise da sua inserção na Revista do Ensino do Rio Grande do Sul. O corpus de análise que embasou a etapa da investigação consiste em dois exemplares do periódico, que circularam em março e maio de 1952 e que estão disponíveis no Repositório Digital Tatu. Conforme afirma Bastos (2002), a Revista consistia em um veículo de orientação didático-pedagógico destinado ao magistério e, durante o seu tempo de vigência, foi um documento de formação continuada oficial e significativo, onde especialistas expressaram seus posicionamentos em nível regional e nacional. Logo, a forma como a produção literária para a infância está ali representada traduz e sugere a concepção que se tinha sobre o gênero na época. Os fundamentos teóricos deste trabalho envolvem estudos da sociologia da leitura, com Chartier (1996) e Bretas (2013), e da história da educação, com Tambara, Quadros e Bastos (2007) e Romanelli (1993). A análise dos dados considerou a ideia de infância, a concepção de leitura literária e o tipo de abordagem sugerida à literatura infantil nas duas revistas como um todo, mas, em especial, nas seções Biblioteca Escolar Infantil e Contos para seus alunos. Para a análise dos dados, adotou-se o Paradigma Indiciário de Ginzburg (1989), centrado em resquícios, pistas, indícios e sinais que concedem uma concepção de literatura infantil na Revista do Ensino. Os resultados obtidos nos mostram que o periódico trazia uma concepção de leitura utilitária, apenas como conhecimento, confirmada pela classificação dos livros em úteis e recreativos, tendo a primeira categoria maior ênfase e prestígio. A leitura útil era aquela que sugeria formas de fixar o sujeito na sua comunidade, através de informações relacionadas às profissões e ao comércio. Por outro lado, a Revista trazia questões inovadoras para a época, voltando-se para a formação da bibliotecária no sentido de atender às demandas e interesses do público frequentador do espaço. Além disso, apresentava sugestões na forma de Medidas Complementares, voltadas a técnicas de animação à leitura na biblioteca para que essa se tornasse um lugar prazeroso e atrativo. O periódico ainda trazia a preocupação da adequação entre livro-leitor, considerando as diferentes condições de leitura dos sujeitos. Diante do exposto, conclui-se que a Revista tinha uma certa preocupação em trazer em suas seções assuntos relacionados à leitura e à literatura infantil, embora muitas vezes com um caráter moralista e/ou, formador. Ainda, preocupava-se com o leitor e adotava, em alternados momentos, o hábito da leitura como vínculo para a escolarização, equilibrando o controle com o acesso, o que se justifica a partir de seu contexto de produção, a década de 50.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A CONCEPÇÃO DE LITERATURA INFANTIL NA DÉCADA DE 50 ATRAVÉS DA REVISTA DO ENSINO (RS). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101464. Acesso em: 15 abr. 2026.