AVALIAÇÃO DE MARCADORES SANGUÍNEOS EM UM MODELO DE EXPOSIÇÃO AO GLIFOSATO
Palavras-chave:
Glifosato, herbicida, marcadores, sanguíneosResumo
Atualmente, o glifosato é o ingrediente ativo da categoria de herbicida mais utilizada no mundo. O aumento do uso na produção agrícola resulta na preocupação com a saúde da população, tornando de extrema importância avaliar o efeito do contato com esses compostos pesticidas que, de acordo com diversos estudos, podem estar associados com o desenvolvimento de um grande espectro de doenças. Diante deste cenário, o trabalho desenvolvido teve como objetivo avaliar os efeitos da exposição subcrônica a doses baixas de um herbicida a base de glifosato, a partir da utilização de marcadores sanguíneos. Para o presente trabalho, foram utilizados 20 camundongos machos do tipo Swiss, providos pelo Biotério da Universidade Federal de Santa Maria/RS (Protocolo CEUA: 029/2017). Os animais foram divididos em dois grupos de dez indivíduos, nomeados como grupo controle e grupo glifosato. Durante 30 dias, período definido como exposição subcrônica, os animais receberam por gavagem, água destilada para o grupo controle e uma solução de glifosato na concentração de 50 mg/kg para o grupo glifosato. A dose escolhida corresponde a 10% da NOAEL (No Observed Adverse Effect Level) para camundongos, mesma concentração utilizada pela União Europeia para definição do Consumo Diário Aceitável do glifosato para a população. Ao fim do tratamento, os animais foram anestesiados e coletadas amostras sanguíneas por punção cardíaca. Foram realizadas análises com marcadores de estresse oxidativo como a glutationa reduzida (GSH), capacidade antioxidante total (FRAP - Ferric Reducing Ability of Plasma) e a paraoxonase 1 (PON1), e parâmetros bioquímicos como a aspartato aminotransferase (AST), fosfatase alcalina (FA), creatinina e ureia. Foi possível verificar entre os indicadores de estresse oxidativo que as concentrações de GSH e os níveis de FRAP permaneceram sem alterações no grupo Glifosato em relação ao Controle. No entanto, no grupo Glifosato a enzima PON1 teve aumento significativo da atividade, indicando reação do organismo a exposição ao herbicida mesmo a doses baixas, demonstrando ser um marcador mais sensível a compostos exógenos desta natureza, do que os marcadores anteriores comumente utilizados. Em relação aos parâmetros bioquímicos não se constataram alterações significativas visíveis na enzima hepática AST, ou nos parâmetros de função renal, creatinina e ureia. Contudo, a FA, um indicador de funcionalidade hepática, comumente elevado em situações de colestase e hepatite, apresentou aumento significativo nos animais do grupo Glifosato em relação ao grupo Controle, demonstrando a ocorrência alterações hepáticas decorrentes da exposição contínua ao herbicida. Por fim, através dos resultados verifica-se a necessidade da realização de mais estudos que permitam assegurar a saúde da população considerando a exposição a longo prazo a pesticidas, mesmo que em concentrações classificadas como seguras.Downloads
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Publicado
2020-03-30
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
AVALIAÇÃO DE MARCADORES SANGUÍNEOS EM UM MODELO DE EXPOSIÇÃO AO GLIFOSATO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101329. Acesso em: 3 maio. 2026.