COMPARAÇÃO DO DESENPENHO PRODUTIVO E ECONÔMICO DE DIFERENTES SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE BOVINOS DE CORTE

Autores

  • Eduarda Menezes
  • Thaís Lopes Gonçalves
  • Bibiana Bastos Giudice
  • Guilherme De David
  • Ricardo Pedroso Oaigen

Palavras-chave:

Benchmarking, Produtividade, Rentabilidade

Resumo

O benchmarking tem como finalidade mensurar e comparar o desempenho de organizações semelhantes a fim de identificar aquelas mais eficientes e difundir as melhores práticas aos ineficientes. No agronegócio ainda é discreta a sua utilização, especialmente na pecuária. O presente estudo, objetivou, por meio do benchmarking, comparar diferentes sistemas de produção de bovinos de corte em relação ao seu desempenho produtivo e econômico. Os dados foram coletados durantes os anos de 2015 a 2018, de um grupo de propriedades rurais participantes de um projeto de extensão Grupo de Trabalho da Pecuária do Amanhã (GTPA), coordenado pelo Centro de Tecnologia em Pecuária (CTPEC) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Foram coletados dados de dezesseis sistemas de produção de bovinocultura de corte, calculados por meio de indicadores padronizados. As propriedades foram separadas em três grupos, sendo eles: cria e genética (G1), recria e terminação (G2) e cria tradicional (G3) e tiverem seu desempenho comparado em relação a produtividade, lucratividade e rentabilidade. Tratando-se de produtividade (kg PV/ha), medida através do cálculo [(PAC/área física explorada - ha)], os três grupos evoluíram no decorrer dos três anos, sendo que o G1 passou de 92,46 em 2015 para 113,84 kg PV/ha em 2018. G2 passou de 133,78 para 145,2 kg PV/ha. E o G3 passou de 97,1 para 121,25 kg PV/ha. Em relação a lucratividade, que é medida através da fórmula: [(lucro líquido/faturamento bruto)], os grupos obtiveram, respectivamente: 13,96%, 25,79%, 29,68% em 2015. Ao final da safra 17/18 a lucratividade se apresentou da seguinte forma: G1: -1,83%. G2: 9,26%. G3: 22,67%, demonstrando queda acentuada entre os anos avaliados. A rentabilidade [(lucro líquido/investimento x 100)] apresentou índices decrescentes ao longo dos três anos. Sendo G1: de 4,33% passou a -0,93%. G2: de 12,75% passou a 1,17%. E o G3: de 2,93% passou a 2,57%. A evolução observada na produtividade não foi acompanhada pelo incremento econômico em nenhum dos grupos avaliados, durante os anos estudados. As menores perdas ocorreram no grupo G3, que tem como característica um sistema de menor tecnificação e menores custos de produção. O desempenho econômico dos sistemas produtivos está atrelado a fase de baixa do ciclo pecuário e ao cenário de crise política e econômica do país. Nesse contexto, o G3, sistema de cria tradicional, embora não apresente a melhor produtividade de (kg PV/ha) apresentou a maior lucratividade no decorrer dos anos, em relação aos demais grupos avaliados. Os resultados sugerem que sistemas extensivos apresentam maior resiliência frente a cenários de crise. Ressalta-se ainda a importância da correta alocação dos recursos, sobretudo em cenários de baixos preços pagos ao produtor. Por fim, destaca-se que, o incremento na produtividade deve ser buscado pelo produtor em conjunto com uma criteriosa análise econômica, uma vez que alta produtividade pode não vir acompanhada do retorno econômico.

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Publicado

2020-03-30

Como Citar

COMPARAÇÃO DO DESENPENHO PRODUTIVO E ECONÔMICO DE DIFERENTES SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE BOVINOS DE CORTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/101241. Acesso em: 15 maio. 2026.