O OUTRO LADO DA INCLUSÃO: A PERSPECTIVA DISCENTE

Autores

  • Alessandro de Mattos
  • Ana Paula Rosa Corrêa
  • Claudete Lima
  • Franciele Brizola

Palavras-chave:

Educação, inclusiva, perspectiva, discente

Resumo

O OUTRO LADO DA INCLUSÃO: A PERSPECTIVA DISCENTE A rotina da sala de aula é composta de uma quantidade significativa de variáveis interligadas entre si e que afetam diretamente todos os(as) que estão envolvidos(as)nela. Um dos fatores relevantes a se considerar é a diversidade de perfis de aprendizado dos(as) estudantes que chegam às salas de aula da rede pública de ensino. Em uma das escolas de Ensino Fundamental em que atuamos, em uma turma de sexto ano, temos quatro alunos(as) sujeitos de atendimento educacional especializado. Uma delas, com barreiras físicas que comprometem a mobilidade e interferem no desenvolvimento pedagógico, fez com que toda a turma fosse realocada em uma sala do andar térreo da escola. Ocorre que essas barreiras físicas, por vezes, são seguidas de barreiras atitudinais. Ou seja, o que era para ser apenas um limitador físico pode preceder a outros comportamentos hostilizantes ou discriminatórios relacionados para com a pessoa com deficiência. Por este motivo empreendemos o presente trabalho, que trata-se de um Estudo de caso do tipo Descritivo, com uma abordagem Qualitativa. Ao se falar de estudos Qualitativos, o fazemos através da perspectiva de Godoy (1995) que diz que um fenômeno pode ser melhor compreendido no contexto em que ocorre e do qual é parte, devendo ser analisado numa perspectiva integrada. (GODOY, 1995, p.02). O fato que será narrado, ocorrido com a aluna observada na turma 62, despertou-nos para o problema que motivou este estudo de caso. No começo deste ano letivo a equipe gestora decidiu por mudar a sala de aula do sexto ano para o piso térreo, passando a informação ao corpo docente na reunião pedagógica que antecedera o começo das aulas. Assim sendo, todos(as) os(as) professores(as), ao trocar de horário em cada componente, precisam fazer um percurso de um extremo ao outro do quarteirão para chegar à sala do sexto ano. Em algumas destas trocas a aluna escutou comentários entre professores(as) ou funcionários(as) sobre o motivo da demora do deslocamento: a mudança da sala em função dela. A discente, então, comentou com a professora responsável pelo AEE, em um tom de voz que demonstrava aparente tristeza, que todos(as) tinham que descer e atravessar a escola inteira por causa dela. A frase serviu-nos de alerta para as barreiras atitudinais que afetam a efetiva educação inclusiva, a qual pode ser criada pelos próprios docentes, ainda que sem a intenção de fazê-lo.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

O OUTRO LADO DA INCLUSÃO: A PERSPECTIVA DISCENTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 10, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/100717. Acesso em: 24 out. 2026.