QUANDO A EDUCAÇÃO INTERCULTURAL LEGITIMA AS RELAÇÕES DE FRONTEIRA

Autores

  • Cássia Gonçalves

Palavras-chave:

fronteira, interculturalidade, discurso

Resumo

Na América Latina (AL) há a preocupação por uma educação que respeite a diversidade cultural. Nos anos cinquenta, os movimentos de cultura popular contribuíram para promover processos educativos a partir dos componentes culturais dos diversos grupos populares. Em uma perspectiva intercultural, os educadores e educandos procuram não reduzir a outra cultura a um objeto de estudo a mais que, tal como os demais conteúdos escolares, são desenvolvidos abstratamente. Fui participante, em 2015, do Programa Escolas Interculturais de Fronteira (PEIF) implantado na cidade de Aceguá, localizada na fronteira entre Uruguai e Brasil, que se pautou em aproximar as escolas EMEF Nossa Senhora das Graças e Escuela Nº 74 General Fructuoso Rivera. Fui encarregada de ser a Formadora da Universidade, o que significou desempenhar a conexão entre a universidade, as escolas de fronteira e estreitar a relação entre todos. Foi selecionado para análise um passeio feito em conjunto (escola uruguaia e brasileira) e duas produções de alunas resultantes deste. A análise discursiva destes corpus foi feita com base no potencial analítico e metodológico dos conceitos de Bakhtin (2011). Nesse sentido, é fundamental reconhecermos que cada enunciado deve ser visto antes de tudo como uma resposta (BAKHTIN, 2011, p. 297) a outros enunciados anteriores e a enunciados futuros, sejam eles verbais, imagéticos, sonoros, corporais, híbridos etc. Portanto, é impossível alguém definir sua posição sem correlacioná-la com outras posições (idem, 2011, p. 297). Foi percebido que no decorrer do passeio, as diferenças culturais foram se apagando e pouco a pouco os estudantes começaram a dialogar e interagir uns com outros. Como Fleuri (2007) afirmou: a educação intercultural procura se configurar em uma pedagogia do encontro, não apenas abstratamente, mas concretamente, com o objetivo de promover experiências significativas, e ao mesmo tempo complexas, em que encontros/confrontos de narrativas diferentes se hibridizam em momentos únicos de crescimento para os sujeitos, tornando os encontros experiências não superficiais e profundas. Programas e ações educativas que promovam a interculturalidade, como o PEIF, são fundamentais na interação intercultural e valorização das culturas, linguagens e costumes nas fronteiras. No entanto, para que estas conexões permaneçam institucionalmente ativas é necessário incentivo, vontade de interagir e conhecer provenientes das escolas, professoras e estudantes. Caso contrário, as trocas continuarão existindo, mas em um contexto de informalidade e até mesmo apagamento.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2020-03-03

Como Citar

QUANDO A EDUCAÇÃO INTERCULTURAL LEGITIMA AS RELAÇÕES DE FRONTEIRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98919. Acesso em: 26 abr. 2026.