Exposição ao arsênio através da água potável: efeitos na sobrevivência e locomoção em Drosophila melanogaster

Autores

  • Mayara Gonçalves
  • Rafael Roehrs
  • Jefferson de Jesus Soares
  • Daiane Raquel de Freitas Rodrigues
  • Mateus Cristofari Gayer
  • Matheus Bianchini
  • Elton Luis Gasparotto Denardin

Palavras-chave:

Intoxicação, arsênio, Drosophila, melanogaster, água, potável

Resumo

O arsênio é um semi-metal ubiquamente disponível no meio ambiente terrestre e considerado um fator de risco para a saúde global (ABDUL et al., 2015). A exposição crônica ao arsênio através da água potável está associada a câncer, distúrbios gastrointestinais, doenças cardiovasculares, anormalidades neurológicas e doenças no fígado e rins.Vários estudos epidemiológicos têm demonstrado que a exposição a baixos níveis de arsênio pode causar déficits cognitivos e neuropsicológicos além de dificuldades na aprendizagem e memória,entretanto,os mecanismos de neurotoxicidade ainda não estão completamente elucidados. A determinação in vivo da população neuronal afetada por metais é muitas vezes complicada pela complexidade dos sistemas nervosos humanos e mamíferos. Assim, organismos com sistemas nervosos mais simples, como a Drosophila melanogaster (DM), estão sendo utilizados com maior freqüência em estudos de neurotoxicidade induzida por metais.Em DM, o arsênio já demonstrou ser genotóxico.Entretanto pouco se sabe sobre os efeitos do arsênio sobre o sistema nervoso das moscas.Objetivo desse trabalho foi avaliar o possível efeito tóxico e neurotóxico do arsênio em moscas expostas a esse metal através de uma alimentação líquida simulando uma contaminação da água potável. As DM selvagens foram cultivadas em frascos de vidro com meio de manutenção padrão de farinha de milho com extrato de levedura como fonte de proteínas e mantidos em temperatura e umidade constante.Soluções contendo arsênio nas concentrações 0,5; 1 e 2 mM,além do grupo controle(sem arsênio,somente com solução controle de 1% sacarose e 1% leite em pó).A exposição foi realizada através de uma alimentação líquida contínua conforme descrito por SOARES et al., (2017).Foi realizado o teste de geotaxia negativa e avaliação da sobrevivência. Após a análise estatística dos dados. A água potável é a principal rota de exposição humana ao arsênio.A contaminação de águas subterrâneas por arsênio foi relatado em países como Tailândia, China, Gana, Argentina Chile, México e Hungria (KAPAJ et al., 2006). A toxicidade do arsênio sobre as moscas foi avaliada através dos parâmetros de sobrevivência e atividade locomotora.Nesse estudo, as moscas expostas ao arsênio na concentração de 1 mM demonstraram uma redução significativa da capacidade locomotora no ensaio de geotaxia negativa quando comparadas com o grupo controle. Já o grupo tratado com 0,05 mM de arsênio não demonstrou diferença significativa em relação ao controle nesse ensaio. A perda da capacidade locomotora das moscas expostas ao arsênio na concentração de 1 mM também foi observado no ensaio do número de cruzamentos. Houve uma redução do número de quadrados percorridos pelas moscas desse grupo quando comparado com o grupo controle. Consequentemente, também houve um aumento do tempo de imobilização desse grupo em relação ao grupo controle.A coordenação locomotora alterada pode estar relacionada com problemas no funcionamento do sistema colinérgico. Nesse estudo, o arsênio administrado através de uma alimentação líquida simulando uma contaminação da água potável, causou uma diminuição da sobrevivência e redução da atividade locomotora das moscas expostas a esse metal.Entretanto, mais ensaios serão realizados para confirmar essas hipóteses.Por fim, a DM mostrou-se um modelo eficaz para o estudo da contaminação da água potável por metais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2020-03-03

Como Citar

Exposição ao arsênio através da água potável: efeitos na sobrevivência e locomoção em Drosophila melanogaster. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98747. Acesso em: 26 abr. 2026.