EFEITOS DOS HERBICIDAS PICLORAM E 2,4D SOBRE O ESTRESSE OXIDATIVO EM DROSOPHILA MELANOGASTER
Palavras-chave:
Tióis, Pesticidas, EROSResumo
Os pesticidas são substâncias químicas destinadas à erradicação de pragas e doenças que transmitem enfermidades às plantas cultivadas em sistemas agrícolas e florestais. Sua utilização tem sido uma atividade comum na agricultura global, com o objetivo de ampliação na produtividade das culturas. No entanto, quando esses compostos são empregados de maneira descontrolada, podem ocasionar impacto em organismos não-alvos, como os seres humanos. O estresse oxidativo, definido como o desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) e sua remoção por sistemas antioxidantes, pode estar relacionado com muitas desordens neurológicas induzidas pela exposição à xenobióticos, como os pesticidas. Diante da crescente utilização de herbicidas na agricultura e do risco de contaminação da biota no ambiente, faz-se necessário o estudo da toxicidade destas substâncias. Considerando a escassez de estudos sobre a ação da associação entre o 2,4 - D e o Picloram sobre parâmetros de toxicidade, o presente estudo visa compreender a toxicologia desta associação, determinando os efeitos dos herbicidas sobre a geração de estresse oxidativo em D. melanogaster. Para a realização deste estudo, foi utilizado o herbicida Palace®, mistura comercial de picloram e 2,4D. Este herbicida é composto por 114,76 g/L de picloram e 447,22 g/L de 2,4D. As moscas adultas macho e fêmea foram expostas separadamente à diferentes concentrações do herbicida através da dieta durante 24h. Os tratamentos foram realizados utilizando as concentrações, para 2.4-D e picloram, respectivamente, de 1g/L e 0,256 g/L; 5 g/L e 1,28 g/L; 10 g/L e 2,56 g/L; 50 g/L e 12,8 g/L; 100 g/L e 25,6 g/L, além de um grupo controle, sem a adição de herbicidas. A produção de EROs foi determinada espectrofluorimetricamente, usando o marcador fluorescente permeável a membrana H2-DCFDA. Para a determinação dos níveis de tiol total, utilizou-se o método de Ellman (1959), assim como para os níveis de tiol não proteico. Os resultados obtidos demonstram que a associação dos herbicidas picloram e 2,4-D diminui a produção de EROs em cabeças de D. melanogaster para todas as concentrações testadas em machos, e para as três concentrações mais altas em fêmeas. Para os corpos de D. melanogaster, não houve resultados significativos estatisticamente em relação ao grupo controle. Para os níveis de tiol total, não houve resultados significativos para os indivíduos machos, quando comparados ao grupo controle. Fêmeas tratadas com o herbicida apresentaram uma redução nos níveis de tiol total na cabeça nas concentrações de 2, 5 e 50 g/L. Já as fêmeas tratadas com 100 g/L apresentaram um aumento nos níveis de tiol na cabeça. A concentração de 10 g/L não apresentou diferença estatística em relação ao grupo sem adição de herbicidas. Quanto à análise dos corpos das fêmeas, foi observada uma redução significativa nos níveis de tióis na concentração de 1g/L. assim como para a avaliação dos níveis de tióis total e não proteico. Podemos concluir que a toxicidade da associação dos herbicidas 2,4-D e picloram não parece estar relacionada ao aumento no estresse oxidativo em D. melanogaster, e portanto, outros mecanismos de toxicidade devem ser estudados.Downloads
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Publicado
2020-03-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
EFEITOS DOS HERBICIDAS PICLORAM E 2,4D SOBRE O ESTRESSE OXIDATIVO EM DROSOPHILA MELANOGASTER. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98733. Acesso em: 26 abr. 2026.