POTENCIAL OXIDANTE/ANTIOXIDANTE DO AMBIENTE DO TRATO REPRODUTIVO NO DIESTRO E ESTRO EM BOVINOS DE CORTE

Autores

  • Thamiris Marsico
  • Camila Cupper Vieira
  • Hirya Fernandes Pinto
  • Fernando Alves Schneider
  • Fernando Silveira Mesquita

Palavras-chave:

Receptividade, Ciclo, estral, Bovinos

Resumo

As drásticas flutuações dos esteroides ovarianos podem desencadear uma série de mecanismos moleculares e celulares que levam a resultados relevantes no funcionamento do trato reprodutivo. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o potencial oxidante/antioxidante dos compartimentos uterino e vaginal sob a regulação do ambiente endócrino nas fases de diestro e estro. Treze vacas cíclicas foram distribuídas em um modelo crossover, onde na primeira rodada as vacas foram aleatoriamente selecionadas e tiveram amostras de útero e vagina coletadas no D-3 (diestro; n= 5) ou D0 (estro; n= 8). A observação de comportamento de estro iniciou a partir do D-2, duas vezes ao dia. Os animais receberam uma injeção de 25 mg de dinoprost no D-3. Posteriormente, os animais coletados no D-3 e no D0 na primeira rodada foram novamente coletados em uma segunda rodada nos D0 (n= 5) e D-3 (n= 8). A coleta de amostras uterinas foi realizada pela lavagem dos cornos uterinos, ipsilaterais ao folículo dominante, com 60 ml de solução salina. A secreção vaginal foi obtida a partir do fornix vaginal com o aparato do tipo Metricheck. Espécies reativas de oxigênio (ROS) foram avaliadas pelo método espectrofluorimétrico, usando diacetato de 2',7'-di-hidro-diclorofluoresceína (DCHF-DA) como sonda. A capacidade antioxidante foi determinada usando o ensaio de potencial antioxidante de redução férrica (FRAP). As médias dos grupos foram comparadas pelo teste t de student, e análise de regressão investigou a correlação entre variáveis. Para ambas as análises foram utilizadas ferramentas do software Microsoft Excel. O FRAP uterino e o conteúdo de ROS não apresentaram diferença entre os dias D-3 e D0 (p>0.05). O potencial oxidante/antioxidante da secreção vaginal do D-3 não foi analisado. Os lavados uterinos do D-3, obtidos entre 108 e 36 horas pré-estro demonstraram um aumento linear do conteúdo de ROS (r= 0,84; r2= 0,71; p<0.05) e FRAP (r= 0,76; r2= 0,57; p<0.05) à medida que o intervalo entre a coleta da amostra e o início da manifestação do comportamento de estro (ICE) diminuiu. No D0, os lavados obtidos entre 36 horas pré-estro e 24 horas pós-estro, o ICE mais longo foi positivamente correlacionado com concentrações maiores de ROS (r= 0,67; r2= 0,45; p<0.05) e FRAP (r= 0,68; r2= 0,47; p<0.05). Na secreção vaginal, ROS (r= -0,69; r2= 0,47; p<0.05) e FRAP (r= -0,7; r2= 0,48; p<0.05) foram negativamente correlacionados com o ICE. No estro, os menores valores de FRAP e ROS nas lavagens uterinas e maiores na secreção vaginal foram expressos por um único animal, o qual foi coletado 24 horas após a detecção do estro. Isto sugere que o ambiente oxidante/antioxidante uterino e vaginal podem ser regulados pelos eventos endócrinos que acontecem em torno do estro. Especula-se que as concentrações de estradiol tenham uma função essencial na regulação proposta. A elevada correlação positiva entre ROS e FRAP, pode ser explicada pela estimulação da resposta antioxidante local em função da exposição às concentrações crescentes de agentes oxidantes. Propõe-se que as principais alterações endócrinas que ocorrem em torno do estro desencadeiem mudanças igualmente relevantes no ambiente uterino e vaginal.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

POTENCIAL OXIDANTE/ANTIOXIDANTE DO AMBIENTE DO TRATO REPRODUTIVO NO DIESTRO E ESTRO EM BOVINOS DE CORTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98635. Acesso em: 26 abr. 2026.