MULHERES: A LUTA CONTRA O ESTUPRO EVIDENCIADA EM IMAGENS DA PÁGINA QUEBRANDO O TABU
Palavras-chave:
Análise, Discurso, Mulher, Machismo, ResistênciaResumo
Este trabalho desenvolve-se a partir da base teórica da análise de discurso francesa. Entendemos o discurso como efeito de sentidos entre locutores, sendo os sujeitos simbólicos definidos na sua relação de assujeitamento histórico-social. Ao tomarmos como materialidade o discurso sobre a sexualidade feminina, tabus são frequentemente usados com relação ao modo de portar-se da mulher na sociedade, entretanto, grupos lutam contra as mais variadas formas de violência e coibição destas e a mobilização/propagação do discurso anti-estupro é cada vez mais crescente. O corpus deste trabalho constitui-se de duas imagens retiradas de uma página da rede social Facebook denominada Quebrando o tabu que compartilha textos, músicas e imagens que evidenciam na língua o desejo de rompimento dos estigmas que nossa sociedade mantém, funcionando para este fim de resistência ao Já-lá em suas práticas ideológicas. Com fotografias que evidenciam o discurso latente contra este abuso, pretende-se mostrar o poder que a voz feminina vem ganhando a cada dia e como é possível se significar na resistência contra o apagamento da imagem da vítima, dar voz ao que foi/é silenciado pelo discurso machista, de grande força em nossa formação social. Na primeira imagem temos a foto de uma jovem segurando um cartaz com os dizeres O estupro veio antes da mini saia. Esta mulher assume a posição de interlocutora desse discurso, munida de um cartaz que possui dizeres de refutação e enfrentamento da ideia, tida por comum, de que se a mulher está usando alguma roupa curta é porque quer. Ela está, como sujeito, falando para uma sociedade que culpabiliza a vítima pela violência sofrida, rivalizando com o discurso que inferioriza a imagem feminina como sujeito social e individuado, a qual tem o direito de gozar a sua liberdade, mas é impedida pelo meio. Ao sofrer o defloramento, a mulher é por vezes tida como denúncia duvidosa pela justiça que, na sua atribuição de receber a denúncia e investigar, nem sempre acredita na atitude criminosa de um homem que não se enquadre no estereótipo de estuprador. O segundo cartaz escolhido retrata o trecho de uma música do gênero funk que teve sua letra modificada, a original Tava no fluxo, avistei a novinha no grau, saber o que ela quer? Pau, pau, pau, pau. Ela quer pau exemplifica em sua materialidade discursiva essa propagação linguística do discurso constituído pelo machismo, violento, regido pelo erotismo. A novinha retratada na letra da música relaciona-se às jovens das comunidades periféricas que vão aos bailes funk com roupa curta e que são vistas por homens como artigo de desejo, fonte de prazer e máquinas de sexo. A breve análise das imagens que constituem o corpus discursivo deste trabalho procurou evidenciar a luta pela igualdade de gênero, que dá visibilidade à crueldade do estupro cometido contra mulheres, e também mostrar como páginas em redes sociais podem auxiliar nesta causa, realçando práticas que viabilizam uma melhora na educação de nossa formação cidadã.Downloads
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Publicado
2020-02-28
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
MULHERES: A LUTA CONTRA O ESTUPRO EVIDENCIADA EM IMAGENS DA PÁGINA QUEBRANDO O TABU. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/91455. Acesso em: 14 maio. 2026.