EFEITO ANESTÉSICO DO ÓLEO ESSENCIAL DAS PARTES AÉREAS DE CUNILA GALIOIDES EM JUNDIÁS

  • Cecília Scheeren
  • Berta Maria Heinzmann
  • Laurício Martini Madaloz
  • Bernardo Baldisserotto
  • Jessyka Arruda da Cunha
Rótulo Anestesia, Rhamdia, quelen, Piscicultura, Fitoterapia

Resumo

A utilização da fitoterapia, que compreende o tratamento de patologias e demais distúrbios através de produtos naturais obtidos de plantas, tem sua referência mais antiga datada há sessenta mil anos. Os óleos essenciais (OE) são compostos naturais, voláteis e complexos que possuem odor característico, sendo sintetizados por plantas aromáticas durante o metabolismo secundário. A espécie vegetal Cunila galioides Benth., popularmente conhecida como poejo, é uma planta aromática nativa utilizada na medicina popular como estimulante, anti-espasmódico, anti-térmico, e no tratamento de doenças crônicas, tosse e infecções respiratórias. A análise fitoquímica do óleo essencial (OE) de exemplares de C. galioides coletados no Sul do Rio Grande do Sul relatou como principais constituintes os monoterpenos geranial (40,5%) e neral (28%). No presente estudo, testaram-se quatro concentrações do OE obtido das partes aéreas de C. galioides pelo método de hidrodestilação em aparelho de Clevenger no Laboratório de Extrativos Vegetais da UFSM: 50, 100, 200 e 300 μL.L-1. As diferentes concentrações foram solubilizadas em etanol 95% (1:10) e adicionadas a aquários contendo 1L de água, que foram armazenados no Laboratório de Fisiologia dos Peixes. Foram utilizados nove exemplares de Rhamdia quelen (10,90 ± 0,80 g; 9,44 ± 0,44 cm) por concentração do OE para avaliar o tempo de indução de sedação, anestesia e recuperação. O tempo de observação máximo foi de 30 min. A análise estatística da resposta dos animais ao OE foi realizada através de regressão não-linear (P <0,05). Para as concentrações de 50 e 100 μL.L-1, não houve efeito anestésico observável, e em 50 μL.L-1, o efeito sedativo também não foi percebido. Nas concentrações de 100 μL.L-1 foi observada sedação em 338,95 ± 28,35 segundos, e a recuperação ocorreu em 302,26 ± 33,06 segundos. Nas concentrações de 200 e 300 μL.L-1, foi possível observar sedação em 249,08 ± 7,16 e 106,97 ± 3,66 segundos, e anestesia em 438,57 ± 30,22 e 257,73 ± 18,03 segundos, respectivamente. Nessas duas concentrações mais elevadas, a recuperação ocorreu em 687,26 ± 46,07 e 907,28 ± 17,02 segundos após os juvenis serem transferidos para aquários contendo 1L de água, expostos a aeração contínua. Com base nos resultados obtidos, podemos observar que o óleo essencial de C. galioides nas concentrações testadas não pode ser utilizado como anestésico, tendo em vista que de acordo com a literatura de referência, um anestésico apropriado deve induzir a anestesia em até 3 minutos e permitir a recuperação em até 5 minutos.

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Publicado
2020-02-27
Como Citar
SCHEEREN, C.; MARIA HEINZMANN, B.; MARTINI MADALOZ, L.; BALDISSEROTTO, B.; ARRUDA DA CUNHA, J. EFEITO ANESTÉSICO DO ÓLEO ESSENCIAL DAS PARTES AÉREAS DE CUNILA GALIOIDES EM JUNDIÁS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 7, n. 2, 27 fev. 2020.