ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA SAÚDE MENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
Serviços, Saúde, Mental, Educação, Física, Treinamento, Terapia, exercícioResumo
Considerando a enorme dificuldade de se trabalhar a cultura corporal do movimento em corpos que foram historicamente reprimidos, este estudo tem como objetivo relatar a experiência nas atividades práticas realizas por um profissional de Educação Física Residente, e seus desafios, durante a atuação de 01 ano nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de uma cidade da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Os usuários que frequentavam os serviços possuíam diversos perfis. A população CAPS II (Atende prioritariamente pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes) era de ambos os sexos sem uma predominância evidente, com transtornos psíquicos de diferentes níveis e intensidades, vindos dos mais variados contextos sociais. Os diagnósticos atribuídos eram bastante distintos, sendo os de esquizofrenia e retardo mental os mais frequentes. No CAPS AD (Atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de crack, álcool e outras drogas), eram em sua maioria do sexo masculino, usuários de tabaco, álcool e outras drogas, como crack e cocaína, muitas vezes associado a ansiedade, depressão e esquizofrenia. Dentro da atuação nos CAPS, atividades referentes à expressão corporal e artística se apresentam como potentes ferramentas na terapêutica dos usuários do serviço, gerando significados e proporcionando novas formas de se trabalhar o indivíduo. O desenvolvimento das oficinas terapêuticas de música e de leitura/poesia se mostrou como uma potente forma de trabalhar a expressão corporal, dando liberdade de criação e autonomia na condução das atividades aos usuários dos serviços. As oficinas de Movimento Terapêutico e Futsal (prática do esporte) continham uma carga prática acentuada, utilizando prioritariamente o movimento como ferramenta terapêutica. Tinham como finalidade, estimular a coordenação motora, proporcionar vivências com variadas modalidades esportivas estimular a autonomia dos usuários de saúde mental. As atividades funcionavam como um recurso cooperativo e inclusivo, desenvolvendo o trabalho em equipe, a socialização, o respeito e a confiança mútua. Ainda que um forte vínculo tivesse sido estabelecido entre o profissional de Educação Física e os usuários do serviço, e sendo esse vínculo de extrema importância para o engajamento na atividade, fatores fisiológicos impediam que estes sujeitos conseguissem desempenhar as atividades. A inserção da cultura corporal do movimento na rotina de cuidado desses sujeitos enfrenta grandes dificuldades. Deve-se considerar diferentes formas de tratamento, complementares à farmacologia, como atividades de expressão corporal, esportivas e atividades físicas.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA SAÚDE MENTAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 10, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/86967. Acesso em: 13 maio. 2026.