DE PERTO NINGUÉM É NORMAL: ESTRATÉGIA DE CUIDADO PARA PRODUÇÃO DE SAÚDE MENTAL

Autores

  • Flavia da Silva

Palavras-chave:

SAUDE, MENTAL, LUTA, ANTIMANICOMIAL, ESTRATÉGIAS, DE, CUIDADO

Resumo

INTRODUÇÃO: Este relato de experiência parte do projeto que propõe atividades para produção de saúde e cidadania e surge a partir do trabalho na Oficina de Rádio De perto ninguém é normal, utilizada como recurso terapêutico no Centro de Atenção Psicossocial para pessoas em intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Em 2017, a atividade completou 15 anos, contemplando as diretrizes da Reforma Psiquiátrica no qual estão pautados os serviços oferecidos pelos CAPS. O perfil destes usuários fez parte de uma discussão levantada pela equipe de residentes multiprofissionais do serviço, na qual percebem o engessamento das atividades e a falta de práticas emancipatórias que garantam aos usuários o direito de transitar nos espaços que compõem seu território, uma vez que estão organizados em suas atividades de vida diárias e tendo boas respostas em seu tratamento terapêutico, assim, buscamos desenvolver atividades que explorem espaços da cidade para que os usuários possam interagir entre si, reconhecendo e ocupando espaços potentes para produção cuidado em saúde mental. OBJETIVOS: Contribuir para o processo da garantia de direitos, resgate da cidadania e cuidado em liberdade, possibilitando as pessoas portadoras de transtorno mental um novo lugar social junto à comunidade, suscitando a construção de um novo projeto de vida tendo em vista à utilização do território. METODOLOGIA: Encontros quinzenais, em espaços públicos discutindo um determinado assunto elencado pelos usuários, conteúdo transformado em entrevista gravada em formato de áudio e também em outras expressões artísticas trazidas pelos usuários, e é utilizado para produção do programa de rádio. RESULTADOS: Ao reconhecer e ocupar os espaços da cidade acontece um movimento de resistência dos usuários que, através de uma atividade de interação e comunicação conseguem romper com os estigmas que são enfrentados ao longo de suas vivências, experimentando novos projetos de vida a partir de lugares comuns onde desenvolvem autonomia para explorar esse território numa ação que envolve as famílias e rede de apoio. CONCLUSÃO: Tal atividade se efetiva como estratégia de cuidado, pois o grupo realiza um exercício de empatia com o sofrimento psíquico do outro, compartilhando das mesmas dores e rejeições ocasionadas pelo preconceito e exclusão social. Neste sentido, atividades que incluam a sociedade, buscando a reinserção do sujeito vem ao encontro de uma das funções primordiais dos CAPS que é a efetivação da garantia de direitos e de cidadania para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar frente ao sofrimento psíquico. REFERENCIAS: BRASIL. Lei 10.216 de 06 de Abril de 2001. Brasília, 1988. CFESS. Parâmetros para atuação do Serviço Social em Saúde. Brasília: CFESS, 2010. FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. LANCETTI, A. A clínica Peripatética. São Paulo: HUCITEC, 2006. LIMA, E.F.A; YASUI, S. Territórios e sentidos: espaço, cultura, subjetividade e cuidado na atenção psicossocial. Saúde em debate. RJ.v.38.n.102.p.593-606. 2014 SANTOS, M. A natureza do Espaço. São Paulo: EUSP, 2006.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

“DE PERTO NINGUÉM É NORMAL”: ESTRATÉGIA DE CUIDADO PARA PRODUÇÃO DE SAÚDE MENTAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/86264. Acesso em: 3 maio. 2026.