LEPTOSPIROSE CANINA CAUSADA PELO SOROVAR DJASIMAN NO MUNICÍPIO DE ALEGRETE RS RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Leptospira, Zoonose, canino, icteríciaResumo
A leptospirose é uma doença bacteriana infectocontagiosa, aguda e potencialmente grave, causada pela Leptospira interrogans. É uma zoonose cosmopolita, que pode ocorrer tanto na forma esporádica quanto endêmica. Os cães são considerados a segunda principal fonte de infecção para o homem. Cães de qualquer idade, raça ou gênero podem desenvolver leptospirose se não forem previamente imunizados. Os sorovares mais comuns entre os cães são: icterohaemorragiae e canicola, podendo ocasionalmente se infectar com outros sorovares. As leptospiras são eliminadas na urina e penetram no hospedeiro por lesões na pele ou mucosas intactas. A transmissão pode ocorrer por meio de mordeduras, por contato venéreo, via transplacentária e pela ingestão de tecidos, solo, água, cama, alimentos, e outros fômites contaminados. Os principais órgãos afetados pela leptospira são o rim e o fígado. Os sinais clínicos vão depender da idade e da imunidade do hospedeiro, mas também dos fatores ambientais e da virulência do sorotipo infectante e do fato da doença ser superaguda, subaguda, crônica ou assintomática. Este trabalho tem por objetivo relatar um caso clínico de leptospirose canina, soro-reagente para o sorovar djasiman, pouco relatado em caninos. Foi atendido na cidade de Alegrete RS, um canino, fêmea, raça Border Collie, um ano e dois meses de idade, pesando 14 kg de massa corporal, proveniente de propriedade rural. O proprietário relatou que o animal apresentava emêse, diarréia, anorexia e apatia há mais de oito dias. Ao exame físico o paciente demonstrou algia abdominal e apresentava icterícia nas mucosas oral e nasal, esclera ocular e região interna do pavilhão auditivo. A urinálise revelou a presença de proteinúria, hematúria e bacteriúria; enquanto o hemograma demonstrou a presença de anemia macrocítica hipocrômica e leucocitose por neutrofilia com desvio a esquerda. A bioquímica sanguínea indicou aumento dos níveis de uréia e creatinina e o aumento da fosfatase alcalina. Frente ao exame clínico e exames complementares o diagnóstico presuntivo foi de leptospirose, então, amostra sanguínea foi encaminhada para realização de exame sorológico, o qual foi considerado reagente, apresentando anticorpos contra o sorovar djasiman com títulação de 1:100. O tratamento foi iniciado após o diagnóstico presuntivo, porém o paciente veio a óbito. Diversos inquéritos sorológicos realizados em cães do RS na cidade de Pelotas e em Porto Alegre, verificaram a presença de vários sorovares: canicola, icterohaemorrhagiae, copenhageni, australis, pyrogenes, sentot, wolffi, castellonis e bratislava. Estes estudos sugerem que o sorovar djasiman não é encontrado com frequência e demonstram a raridade da ocorrência deste sorovar em cães no estado do RS. A evidência sorológica obtida neste relato indica a importância para o sorovar djasiman, podendo ser considerado não adaptado aos caninos, portanto oriundo de uma infecção acidental. Em razão disto, destaca-se a importância de que seja realizado um inquérito epidemiológico para a verificação da ocorrência deste sorovar na região do foco deste relato.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
LEPTOSPIROSE CANINA CAUSADA PELO SOROVAR DJASIMAN NO MUNICÍPIO DE ALEGRETE RS RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 5, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85323. Acesso em: 16 abr. 2026.