CUIDADOS PALIATIVOS: REFLETINDO AS INFLUÊNCIAS E CONTRASSENSOS DA FILOSOFIA DE SAUNDERS NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO

Autores

  • Fabiane de Avila
  • Maria Eduarda Deitos Vasquez
  • Angelica dos Santos Nunes
  • Neury Ely Justiniano de Souza
  • Alessandra Schmidt
  • Leticia Silveira Cardoso

Palavras-chave:

Cuidados, Paliativos, Cuidado, Enfermagem, Estudantes

Resumo

INTRODUÇÃO: Os cuidados paliativos podem ser compreendidos, a partir da definição da Organização Mundial de Saúde, como um conjunto de estratégias disponibilizado para o tratamento dos sinais e sintomas em pessoas com doenças terminais. A filosofia precursora deste pensamento foi concebida pela enfermeira inglesa Cicely Saunders, que difunde a partir de 1967 a perspectiva de que muito pode ser feito para ajudar as pessoas cuja condição de saúde progride para a terminalidade da vida. Para tanto, este estudo objetiva apontar as influências e os contrassensos na formação acadêmica de enfermagem quanto à abordagem dos cuidados paliativos. METODOLOGIA: Estudo reflexivo acerca de experiências na formação de um grupo de cinco acadêmicos do sexto semestre do curso de enfermagem, sustentado na filosofia de Cuidados Paliativos proposta por Saunders. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Percebe-se a temática dos cuidados paliativos mostrando-se, sobretudo, marginalizada no contexto de formação da enfermagem, estando presente apenas pontualmente nas discussões que envolvem o processo de adoecimento bem como o morrer. Fato que acaba por refletir na postura adotada pelos profissionais, por vezes, despreparados para o manejo adequado diante da ausência de prognóstico. O distanciamento da temática nas grades curriculares pode estar relacionado à aproximação tardia desta filosofia da realidade brasileira, decorrida apenas na década 80. As influências marcantes do modelo biomédico, de lógica essencialmente curativista e procedimental, também parecem constituir importantes barreiras para sua efetivação, se fazendo presentes no processo de cuidar de enfermagem. Logo, a impossibilidade da cura subentende à muitos profissionais uma justificativa para a execução da assistência fragmentada e limitada, que se constitui de modo vazio de sensibilidade e empatia para atender as necessidades multidimensionais dos indivíduos e suas famílias. A despeito disso, a proposta de Saunders para transformar a forma de pensar o cuidado diante da terminalidade da vida tem sido paulatinamente incorporada diante de constantes demandas para fortalecer a dignidade e autonomia dos sujeitos no viver e no morrer. O entendimento da finitude da vida como um processo natural tem pautado, em muitos cenários, o cuidado que é exercido pela enfermagem frente a situações de terminalidade. Enfermagem que passa a perceber no alívio da dor de outros sintomas penosos, na integração dos aspectos psicológicos e espirituais e na formação de redes de apoio para a família o verdadeiro caminho para a efetivação dos cuidados paliativos em nossa realidade. CONCLUSÃO: Portanto, apesar dos diferentes movimentos em prol da efetivação dos cuidados paliativos ainda são observadas lacunas importantes no contexto de formação dos enfermeiros. Mais do que discussões pontuais, a implementação de disciplinas específicas, que discorram a respeito da temática é imprescindível, para fortalecer a filosofia dos cuidados paliativos e sua multidimensionalidade enquanto prática de cuidado.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

CUIDADOS PALIATIVOS: REFLETINDO AS INFLUÊNCIAS E CONTRASSENSOS DA FILOSOFIA DE SAUNDERS NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85159. Acesso em: 16 abr. 2026.