ENDOMETRITE PERSISTENTE PÓS COBERTURA EM ÉGUA PURO SANGUE DE CORRIDA: RELATO DE CASO

Autores

  • Fabio Piffero
  • Leonardo Trentim Chaves
  • Leticia Carvalho Cantele
  • Professor Doutor Fabrício Desconsi Mozzaquatro

Palavras-chave:

Endometrite, Cobertura, Égua

Resumo

Estudar endometrites é relevante na Medicina Veterinária em equinos, pois é uma das mais frequentes patologias que acomentem o sistema reprodutivo e causam elevados índices de subfertilidade e infertilidade em éguas. Seus agentes predisponentes são a deficiência de fatores imunológicos presente na limpeza uterina, e fatores mecânicos através da contração miometrial; esses agentes compõem o clearance uterino, que estão relacionados à contração uterina lenta. A Endomitre Persistente Pós Cobertura (EPPC) acomete o endométrio de éguas, ocasionando a inflamação e acúmulo de líquido no útero. No entanto, éguas predisponentes à endometrite são incapazes de eliminar o processo inflamatório no tempo correto, assim manifestam a EPPC gerando alta incidência de perda embrionária. O diagnóstico da EPPC é realizado com exame clínico onde se observa a coloração de mucosa vaginal, presença e carácter da secreção vaginal, e com o auxílio da ultrassonografia (US), observação da ecogenicidade e presença de conteúdo uterino. Assim, objetiva-se relatar o caso de uma égua PSC (Puro Sangue de Corrida) com EPPC, e suas formas de diagnóstico e tratamento. Uma égua PSI com 17 anos foi avaliada com suspeita de EPPC, a partir do estágio extracurricular durante agosto e setembro de 2016. Para diagnóstico realizou-se ultrassonografia, onde observou-se o tamanho dos ovários, presença de folículo pré-ovulatório e pequena quantidade de líquido intrauterino anecóico, possivelmente correlacionado com a formação do edema uterino. Realizada a cobertura por monta natural, observou acúmulo de líquido significativo na luz do útero que persistiu por mais de 24 horas. Diante desta constatação clínica, suspeitou-se de EPPC e assim iniciou-se o tratamento. Neste caso foi indicado lavagem intrauterina com sonda bivona 36H onde foi infundido dez litros de soro fisiológico (SF 0,9%), a cada litro infiltrado era retirado o mesmo, observando sua alteração, o qual começou com uma coloração bem avermelhada e turva, passando por vermelho mais claro e levemente turva, até chegar à coloração transparente, aproximando-se da coloração da SF 0,9% que estava sendo infundida. Ainda para auxiliar a contração intrauterina aplicou-se ocitocina em dose única de 15UI (1,5ml) intramuscular. Ressalta-se que poderiam ter sido realizadas outras abordagens diagnósticas complementares como exame bacteriológico e citológico, que poderiam direcionar uma conduta com antibioticoterapia, porém diante da negativa do proprietário foi descartada esta realização. Foi realizado mais um procedimento idêntico ao descrito até a constatação que o útero da égua estava em condições de conceber (avaliação realizado por US). Após 15 dias da data da ovulação efetuou-se diagnóstico de gestação com auxílio do ultrassom. Observou-se que a égua não estava gestante iniciando novo periodo de cio. Novamente a égua apresentou um quadro com acúmulo de líquido reforçando o diagnóstico de EPPC. O acompanhamento ultrassonográfico de éguas pré-dispostas as endometrites antes e após a cobertura durante a época reprodutiva é fundamental para o estabelecimento de uma gestação saudável. Desta forma conclui-se que, embora não tendo-se conseguido prenhez, o tratamento com lavagem intrauterina é o preconizado para EPPC, sendo ainda possível a associação de antibioticoterapia parenteral e infusão intrauterina caso seja necessário.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

ENDOMETRITE PERSISTENTE PÓS COBERTURA EM ÉGUA PURO SANGUE DE CORRIDA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85051. Acesso em: 16 abr. 2026.