PROTOCOLO ANALGÉSICO UTILIZADO EM UM CÃO SUBMETIDO À HEMIMANDIBULECTOMIA RELATO DE CASO

Autores

  • Flavia Jager
  • Josiane Andressa da Cruz Strasburg
  • Rochelle Gorczak
  • Marília Teresa de Oliveira

Palavras-chave:

Cirurgia, analgesia, infusão, contínua, dor

Resumo

O controle da dor é essencial em cirurgias que envolvem periósteo e tecido nervoso, pois geram um potencial doloroso bastante intenso. Nesses casos, deve-se empregar a analgesia preemptiva, cuja função é realizar prevenção à resposta nociceptiva. Além de terapia medicamentosa multimodal, com associação de anestesia local à infusão continua. A analgesia consiste em ausência ou perda de sensibilidade à dor, podendo ser obtida com fármacos específicos para este propósito. A técnica de analgesia multimodal é realizada utilizando a associação de duas ou mais substâncias que agem em diferentes locais de transmissão da dor no sistema nervoso central e periférico, proporcionando assim um bloqueio a estímulos dolorosos de boa qualidade, podendo também minimizar efeitos colaterais indesejáveis, decorrente do uso abusivo de outros fármacos. Este relato tem por objetivo descrever a analgesia realizada em um canino submetido ao procedimento de hemimandibulectomia rostral, o qual pode promover dor severa a torturante. Foi atendido, no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal Santa Maria, um canino macho, sem raça definida, de 14 anos de idade, pesando 22kg, apresentando aumento de volume gengival na região rostral da mandíbula, com crescimento progressivo há aproximadamente um mês. No exame físico apresentou hiperplasia gengival ulcerada, diagnosticada mediante biópsia como osteossarcoma osteoblástico, sendo indicada a realização de hemimandibulectomia rostral. Os parâmetros fisiológicos estavam normais ao exame pré-anestésico e o paciente foi considerado, segundo a classificação de risco anestésico da American Society of Anesthesiologists, como ASA III, devido a sua idade avançada e condições patológicas. Administrou-se, na medicação pré-anestésica, morfina 0,5mg/kg, por via intramuscular (IM), um opioide de grande potencial analgésico. Para indução anestésica foi utilizado propofol 3 mg/kg, por via intravenosa (IV) associado à cetamina (1mg/kg, IV) em subdose, no intuito de ser um adjuvante na analgesia preemptiva. O cão foi intubado e mantido sob anestesia geral inalatória com isofluorano entre 0,5 e 1 V%. O paciente também foi submetido a anestesia local, por meio de bloqueio do nervo mandibular, utilizando-se lidocaína (4mg/kg). Além disso, foi administrado bolus de lidocaína (1mg/kg, IV), para posterior início da infusão contínua intravenosa de morfina (0,24mg/kg/h), lidocaína (3mg/kg/h) e cetamina (0,6mg/kg/h), objetivando a promoção de uma analgesia multimodal para auxiliar na supressão da dor. No transoperatório, avaliou-se a SpO2, FC, f, ETCO2, PAM e TR. A cirurgia teve duração de 140 minutos e os parâmetros do paciente mantiveram-se estáveis sem necessidade de resgate analgésico no transoperatório, apesar desse procedimento causar dor severa, demonstrando assim a eficácia do protocolo analgésico utilizado. No pós-operatório foi administrado morfina (0,4mg/kg, IM) a cada 4 horas, durante 16 horas e uma dose de cetamina (1mg/kg, IV) após 12 horas. Durante os próximos quatro dias foi administrado tramadol (6 mg/kg, subcutâneo, a cada seis horas) e dipirona (25 mg/kg, IV, a cada oito horas). O paciente teve alta após quatro dias, não requerendo mais a administração de analgésicos. Desta forma podemos concluir que o protocolo analgésico multimodal foi eficaz no controle da dor promovida pela hemimandibulectomia rostral no canino relatado.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

PROTOCOLO ANALGÉSICO UTILIZADO EM UM CÃO SUBMETIDO À HEMIMANDIBULECTOMIA– RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85041. Acesso em: 16 abr. 2026.