A CONSTRUÇÃO DE UM DICIONÁRIO COMPARTILHADO: VIVÊNCIAS COM A LÍNGUA DE FRONTEIRA.
Palavras-chave:
Dicionário, Língua, Fronteira, Sujeito, ExtensãoResumo
O dicionário é um instrumento linguístico conhecido e reconhecido no interior da cultura escolar, mas mesmo sendo um objeto de transcrição da língua consagrado ele deixa à margem verbetes existentes e incontavelmente disseminados por diversas populações. Segundo Camila Biazus (2015) , o dicionário compartilhado torna-se um lugar possível da resistência, da desestruturação/reestruturação das formas de poder impostas, da não acomodação/re-acomodação; representa o imaginário da língua de um dado grupo social. E no intuito de conhecer melhor e mostrar o sujeito da fronteira, firmou-se a parceria entre o grupo PET Letras e o Programa Escolas Interculturais de Fronteira (PEIF) UFSM. Ao desenvolver essa perspectiva de um dicionário compartilhado, com a participação de jovens estudantes do ensino fundamental da cidade de Itaqui-RS, fronteira com a Argentina, não apenas os convidamos a criar um dispositivo material de sua língua oral, mas também refletir sobre a sua realidade de indivíduo fronteiriço, perpassado pelas culturas brasileira e hispano-americana e pensar a importância dessa diversidade de língua e sentidos. A atividade foi desenvolvida com duas visitas a cada escola selecionada, no ano de 2014, em que na primeira foram levantados dados técnicos, feio o conhecimento do local e dos alunos de cada escola por parte dos envolvidos no projeto, para posteriormente realizar-se uma sensibilização com os discentes e a coleta dos primeiros verbetes compartilhados. Após essas duas visitas, o grupo PET se reuniu semanalmente para planejamento da continuação das atividades e discussão de assuntos pertinentes. Como a possibilidade de encontros presenciais foi pouca, um grupo fechado em rede social foi criado para que petianos, alunos e professores das escolas pudessem dar desenvolvimento ao projeto, no qual as crianças poderiam adicionar novos exemplos e aumentar cada vez mais essa rede de significações. O auxílio dos professores dessas escolas foi de fundamental importância, uma vez que, estávamos distantes e estes foram nossos porta-vozes para a escola e alunos.Por fim, após o grupo reunir todos os exemplares de verbetes e os classificar, cada escola teve seu próprio dicionário elaborado. O trabalho de design e diagramação ficou por conta do curso de Produção Editorial da UFSM.O material final é repleto de cores, imagens e palavras que dão ao leitor uma sensação do orgulho que eles têm de serem sujeitos fronteiriços, portadores de uma língua de fronteira e moradores do Rio Grande do Sul. Ao expandir a noção de língua, sujeito e fronteira pode-se contribuir para a construção da cidadania, mostrando que cada sujeito falante pertence à sociedade na qual está inserido. Para os integrantes do grupo houve um enriquecimento da visão que cada um tinha acerca da situação que essas pessoas vivem, contribuindo não só para a formação acadêmica, mas também na construção social e pessoal de cada um. Além disso, pode-se perceber semelhanças e diferenças na língua e na cultura que esses sujeitos partilham conosco, na forma de sociedade em geral.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A CONSTRUÇÃO DE UM DICIONÁRIO COMPARTILHADO: VIVÊNCIAS COM A LÍNGUA DE FRONTEIRA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/84866. Acesso em: 17 abr. 2026.