TRATAMENTO CONSERVATIVO DE AVULSÃO NO CASCO DE UM EQUINO- RELATO DE CASO

Autores

  • Luzia Leal
  • Carlos Eduardo Wayne Nogueira

Palavras-chave:

Equino, avulsão, casco, tratamento, conservativo

Resumo

O casco é um estojo de tecido córneo que recobre as falanges distais e estruturas adjacentes, tem por finalidade a proteção do aparelho locomotor. No caso da avulsão de casco há um descolamento parcial ou total do tegumento subcórneo, podendo ocorrer por causa primária (trauma violento) ou secundária (traumatismos, pododermatites assépticas e lesões inflamatórias na coroa do casco). Na literatura há poucos relatos de avulsão total com tratamento conservativo devido ao prognóstico desfavorável e normalmente ser necessária a eutanásia. O objetivo do trabalho é relatar um caso de avulsão do casco de um equino, com ênfase no tratamento. Foi encaminhado ao HCV-UFPel um equino, macho, raça crioula, com avulsão total de casco do membro anterior esquerdo, com exposição da terceira falange. No exame clínico o animal apresentava dor intensa, taquicardia, taquipnéia, mucosa pálida e TPC 4, temperatura retal elevada e motilidade intestinal diminuída, realizou-se hemograma onde foi observada anemia. Foi realizado tratamento sistêmico com morfina, flunixin meglumine, fenilbutazona, sulfametoxazol com trimetoprim, pentoxifilina, suplemento a base de biotina, suplemento hematopoiético e ácido tiludrônico. Ainda era feito tratamento local, que consistia de pedilúvio inicialmente com água morna e após com iodo tópico também; após a lesão era envolta com almofada e atadura para proteger a terceira falange. Na cocheira colocou-se cama de casca de arroz alta, para aliviar a pressão de apoio, além do animal permanecer algumas horas em decúbito, o que protegia o membro contralateral de desenvolver laminite. O paciente recebeu alta 3 meses após, com uma taxa de crescimento do casco de aproximadamente 1,3 cm ao mês. A avulsão de casco em cavalo é rara, porém quando ocorre tem consequências graves ao animal. O crescimento da muralha do casco ocorre da banda coronária em direção distal, em geral a taxa de crescimento é de 8 a 10 mm por mês, sendo dependente da nutrição, hereditariedade, casqueamento e ambiente. No caso observou-se crescimento de 4 cm em três meses. O tratamento recomendado fundamenta-se em pedilúvios com anti-sépticos, penso acolchoado e antibioticoterapia; neste caso buscou-se controlar a dor e promover maior aporte sanguíneo ao casco através dos antiinflamatórios não-esteroidais e da pentoxifilina, e também para promover um crescimento mais acelerado usou-se elementos essenciais para a queratinização do casco. Cavalos com incapacidade de apoio desenvolvem laminite no membro contralateral por sobrecarga, para evitar esse quadro foram adotados cuidados, como manutenção do animal em cama macia, pentoxifilina para maior perfusão sanguínea no casco, além da auto-proteção do animal. Embora a avulsão de casco seja uma afecção de prognóstico desfavorável é possível um bom resultado no tratamento através de tratamento conservativo (pedilúvio, fármacos que promovam maior aporte sanguíneo ao casco). Além disso, o comportamento e índole do paciente permitiram a recuperação e evitaram conseqüências, como a laminite por sobrecarga de apoio.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

TRATAMENTO CONSERVATIVO DE AVULSÃO NO CASCO DE UM EQUINO- RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/84622. Acesso em: 16 abr. 2026.