CARACTERIZAÇÃO NEUROBIOLÓGICA DO VENENO DO SAPO RHINELLA ICTERICA EM VERTEBRADOS

  • Raquel Oliveira
  • Carlos Gabriel Moreira de Almeida
  • Allan Pinto Leal
  • Tiago Gomes dos Santos
  • Lúcia Vinadé
  • Cháriston André Dal Belo
Rótulo Neurotoxicidade, Viabilidade, neural, Junção, neuromuscular

Resumo

Os venenos animais são ricas fontes de compostos bioativos com aplicabilidade terapêutica. Os sapos são animais que possuem glândulas paratóides espalhadas pelo corpo, que produzem uma secreção venenosa de interesse biotecnológico. Os sapos da espécie Rhinella icterica (Spix, 1824) pertencem a um grupo de animais venenosos presentes no bioma Pampa, os quais ainda carecem de um estudo farmacológico e toxicológico. Neste trabalho, foi feito um estudo sobre a atividade do veneno de R. icterica (RIV) em preparações neuromusculares de aves, bem como sobre o sistema nervoso central de camundongos. Os sapos foram coletados na região de Derrubadas, noroeste do estado do Rio Grande do Sul e o veneno extraído manualmente por compressão das glândulas paratóides. O veneno para uso nos ensaios biológicos foi tratado por extração metanólica seguida de liofilização. Foram utilizados camundongos Swiss adultos de ambos os sexos (25 30 g) para obtenção de fatias de hipocampo e pintainhos Hyline (1 10 dias), para as preparações de junção neuromuscular de biventer cervicis. O ensaio colorimétrico MTT foi realizado nas fatias hipocampais em presença ou ausência do extrato metanólico, conforme descrito por Dal Belo et al. (2013). A preparação neuromuscular biventer cervicis foi realizada como descrito por Ginsborg & Warriner (1960) para obtenção dos registros eletromiográficos. Os dados foram expressos como média ± E.P.M. Diferenças foram validadas por ANOVA post hoc Tukey com p < 0.05 indicando significância. A incubação de RIV (5, 10, 20, 40 µg/mL) em fatias de hipocampo de camundongos, induziu um efeito dose dependente na viabilidade celular. Assim, apenas a concentração de RIV 5 µg/mL induziu um aumento da viabilidade celular (36 ± 10%), quando comparado com o controle Hepes (n=6, p < 0.05). Em preparações neuromusculares de pintainhos, RIV (5, 10 µg/mL) produziu um efeito facilitatório seguido de bloqueio neuromuscular em 120 min de registro. RIV 10 µg/mL induziu um aumento máximo na resposta contrátil (58 ± 12%, p < 0.05) e máximo bloqueio (80±7%, p < 0.05, n = 8). Neste conjunto de experimentos, a incubação dos músculos com Digoxina 0,5 nM ou Ouabaína 0,2 nM mimetizou a atividade do veneno com aumento da amplitude de contração por 19 ± 3% e 30 ± 2%, e diminuição da contração muscular de 86 ± 2% e 91 ± 5%, respectivamente (p < 0.05, n = 5). O aumento da viabilidade neural com o veneno de R. icterica em sistema nervoso central (SNC) de mamíferos indica um potencial terapêutico para o veneno, porém novos experimentos sobre esta atividade devem ser conduzidos. O veneno de R. icterica induziu neurotoxicidade periférica em vertebrados, antecedido por uma facilitação momentânea. As similaridades entre a atividade biológica do veneno de R. icterica e Ouabaína ou Digoxina em preparações neuromusculares, sugerem um mecanismo de bloqueio da bomba de Na+/K+ ATPase nessas sinapses.

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Publicado
2020-02-12
Como Citar
OLIVEIRA, R.; GABRIEL MOREIRA DE ALMEIDA, C.; PINTO LEAL, A.; GOMES DOS SANTOS, T.; VINADÉ, L.; ANDRÉ DAL BELO, C. CARACTERIZAÇÃO NEUROBIOLÓGICA DO VENENO DO SAPO RHINELLA ICTERICA EM VERTEBRADOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 7, n. 4, 12 fev. 2020.