LACERAÇÃO DE CÉRVIX E VULVA COM DESLOCAMENTO DO MEATO URINÁRIO EM EQUINO- RELATO DE CASO

  • Geórgia Góss
  • Flavio Arci Araújo
  • Claudia Medeiros Rodrigues
  • Caroline Guerra Pedro
  • Claudia Acosta Duarte
  • Ingrid Rios Lima Machado
Rótulo laceração, cérvix, vulva, equino

Resumo

As alterações genitais decorrentes de parto distócico são relativamente comuns em equinos. A cérvix e a vulva fazem parte da via fetal mole e têm grande importância reprodutiva. A cérvix é um ponto de referência para a inseminação artificial e, suas alterações podem impedir a concepção e a manutenção da gestação. Também a vulva, na égua, em contraponto à outras espécies domésticas, tem grande importância pois, alterações na sua anatomia podem levar à subfertilidade ou infertilidade. As lacerações comumente afetam estas estruturas e podem ser superficiais ou profundas, pontuais ou lineares e contidas ou extensas. A cérvix tem alta capacidade regenerativa e espera-se a cura espontânea da mesma, quando lacerada. Entretanto, dependendo da profundidade da lesão, pode haver a perda de sua competência funcional. Quanto às estruturas reprodutivas externas da fêmea, as lacerações podem ser classificadas em três graus, de acordo com a severidade da lesão e, para o tratamento é realizada cirurgia plástica reconstrutiva. O presente relato teve o objetivo de descrever um caso de laceração de vulva e cérvix, com deslocamento do meato urinário, em equino. Foi atendido no Hospital Universitário Veterinário da Unipampa, uma égua, com oito anos de idade e aproximadamente 350kg, para investigação da causa de infertilidade. Havia histórico de aborto e distocia tratada por meio de manobras obstétricas há aproximadamente dois anos e impossibilidade de realização de inseminação artificial na temporada posterior ao aborto. Na avaliação ginecológica, durante a inspeção, observaram-se aderências no canal vaginal e laceração vulvar de primeiro grau, além de não ser possível identificar a cérvix com o vaginoscópio. Para melhor avaliação, realizou-se ultrassonografia transretal onde verificou-se presença de ar e celularidade na vesícula urinária além de alteração anatômica, estando a superfície dorsal do órgão aderido à parte ventral do reto. Suspeitou-se que no momento do aborto houve laceração da cérvix e da vulva e, devido à cicatrização tecidual, ocorreu formação de aderências na cérvix e oclusão de sua abertura pela mucosa vaginal, o que promoveu deslocamento cranial do meato urinário. Notou-se ainda alteração na urina que tinha aspecto purulento. Na urinálise, verificou-se alteração na coloração e odor, aumento da turbidez, da densidade e do pH, além da presença de proteínas, leucócitos e cristais de carbonato de cálcio. No hemograma havia neutrofilia, sugerindo infecção no local. Instituiu-se antibioticoterapia com enrofloxacina (5mg/kg) uma vez ao dia, durante doze dias. Se houvesse somente laceração vulvar, o tratamento recomendado seria a vulvoplastia. Contudo, a cérvix estava ocluída por aderência e coberta pela mucosa vaginal. Não foi indicada a intervenção cirúrgica, tendo em vista que o problema de fertilidade não teria como ser resolvido. Com isto, conclui-se que, o acompanhamento da gestação e do parto é de extrema importância em equinos para auxiliar na prevenção de lacerações na via fetal mole e, quando estas ocorrerem, o diagnóstico e a intervenção seriam precoces, evitando suas consequências.

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Publicado
2020-02-12
Como Citar
GÓSS, G.; ARCI ARAÚJO, F.; MEDEIROS RODRIGUES, C.; GUERRA PEDRO, C.; ACOSTA DUARTE, C.; RIOS LIMA MACHADO, I. LACERAÇÃO DE CÉRVIX E VULVA COM DESLOCAMENTO DO MEATO URINÁRIO EM EQUINO- RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 7, n. 4, 12 fev. 2020.