ESTUDO RETROSPECTIVO DE MELANOMAS EM PACIENTES ATENDIDOS NO HCV-UFPEL (2011-2015)
Palavras-chave:
Melanoma, cães, epidemiologia, estadiamento, prognósticoResumo
Melanomas são neoplasias formadas a partir de mutações em melanócitos e melanoblastos e têm grande importância na oncologia veterinária por serem invasivos e altamente metastáticos. O objetivo desse trabalho foi realizar um estudo retrospectivo dos pacientes diagnosticados com melanoma no Hospital de Clínicas Veterinária da Universidade Federal de Pelotas entre os anos de 2011 e 2015, abordando aspectos epidemiológicos, diagnósticos e prognósticos. Todos os dados foram resgatados dos prontuários clínicos dos pacientes. Foram identificados 13 animais com melanoma e todos eram cães, com predomínio de fêmeas (n=9) e média de idade de 10 anos, variando de 6 a 15. Em relação à raça, 6 eram de raça indefinida e os outros 7 eram de raças puras diversas. Esses dados concordam com a literatura, que pontua que os melanomas malignos são comuns em cães e raros nos gatos, com pico de incidência entre 9 e 13 anos de idade, sem predileção por sexo. Foram identificados 17 tumores localizados em diferentes regiões do corpo: 14 na pele/tecido subcutâneo, um na cavidade oral; um no dígito e um na pálpebra. Diferente dos resultados apresentados, a literatura cita que a maioria dos melanomas afeta a cavidade oral e junção mucocutânea dos lábios, com aproximadamente 10% dos tumores originando-se da pele hirsuta. Houve predomínio de tumores ≤ 2 cm (n=10), seguido por tumores ≥ 4cm (n=4) e por tumores entre 2 e 4 cm. O estadiamento da doença foi possível em oito pacientes. Desses, três apresentaram estágio I, dois estágio III e três estágio IV. Esses resultados indicam um alto índice de pacientes com lesões metastáticas regionais ou distantes já no momento do diagnóstico, demonstrando seu alto potencial de malignidade. Quanto à avaliação histopatológica, todos os tumores foram diagnosticados como malignos, sendo três classificados como amelanóticos, porém, a maioria dos trabalhos disponíveis não apontam o grau de pigmentação como um fator prognóstico. As margens cirúrgicas foram avaliadas em 10 casos, estando oito livres e duas comprometidas. Embora seja recomendada completa excisão cirúrgica, não há estudos suficientes na literatura atual em relação às margens cirúrgicas como fator prognóstico. Foram acompanhados 11 pacientes, sendo que 5 deles foram a óbito, três em decorrência de complicações relacionadas à lesões metastáticas e dois por causas não relacionadas ao tumor. Nos pacientes que morreram em decorrência do câncer, a média de sobrevida foi de 4 meses, porém, todos já apresentavam metástases distantes e o procedimento cirúrgico foi realizado de forma paliativa. Dos seis pacientes restantes, três não apresentaram lesões recidivantes ou metastáticas por no mínimo 36 meses após a cirurgia e nenhum destes pacientes apresentava metástases distantes no momento do diagnóstico. Nesse estudo, menos da metade dos cães que passaram pela terapia cirúrgica foram a óbito e nenhum dos cães sobreviventes apresentou metástases ou recidivas durante o período de acompanhamento. Assim, tornou-se evidente que os cães em estágio inicial da doença e tratados cirurgicamente apresentam melhor prognóstico. Nesse contexto, o estadiamento da doença demonstrou ser uma importante ferramenta para a determinação da conduta terapêutica, estabelecimento do diagnóstico e do prognóstico.Downloads
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Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ESTUDO RETROSPECTIVO DE MELANOMAS EM PACIENTES ATENDIDOS NO HCV-UFPEL (2011-2015). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/81467. Acesso em: 19 abr. 2026.