A RELAÇÃO EDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIA: A EXPERIÊNCIA DO PIBID UNIPAMPA CAMPI DE URUGUAIANA
Palavras-chave:
Ciência, Educação, Física, Experiencia, disciplinaridade, interdisciplinaridadeResumo
O Presente trabalho é um relato de experiência sobre a discussão sobre o caráter da Educação Física como disciplina científica. Este tema surge nas reuniões semanais do grupo de docentes e bolsistas vinculados ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência em nosso campi, tendo como objetivo compreender a tensão entre a forma como a Educação Física é vista nos meios acadêmicos e a busca de sua cientificidade e como ela tem se re-significado como área de conhecimento. Ao considerarmos Educação Física como Ciência, parte-se da necessária fundamentação filosófica da relação corpo-movimento que a embasa. Sabe-se que Educação Física surge como prática cultural, tendo como objeto em seus primórdios as habilidades básicas do homem ao realizar atividades físicas ou atletismo primitivo. Na Idade Média, o homem imitava os gestos dos Deuses com o culto ao corpo e buscava na natureza inspiração para seus movimentos. No entanto, sentido da Educação Física se re-significa na modernidade ao aproximar-se do campo de educação e se suas diferentes concepções teórico-metodológicas, afastando-se do campo da saúde. Passa a apresentar um conjunto de contribuições capaz de trazer novas perspectivas interdisciplinares, mobilizando novos conhecimentos relevantes para a compreensão da corporeidade e seu desenvolvimento. A trilha da extrema disciplinaridade tomada pela ciência no século XX colide com esta perspectiva, atribuindo-se freqüentemente à Educação Física um campo de aplicação de matrizes de diversas outras ciências como: Fisiologia, Cinesiologia, Biomecânica e outras; deste modo, nega-se a Educação Física como uma ciência com sua especificidade epistemológica. Nesta perspectiva tradicional no meio acadêmico a Educação Física é vista com prática social que mobiliza conhecimentos de várias áreas da ciência e aí, certamente, precisaríamos incluir a antropologia e a sociologia, afinal seu objeto deve ser a cultura corporal de movimento (como cada grupo social historicamente tem desenvolvido sua corporeidade e sistematizado determinados movimentos). Mas, o que se precisa para que uma disciplina possa ser considerada científica? Precisa um corpo de conhecimentos reconhecidos como válidos pela comunidade científica e um conjunto de metodologias comumente utilizadas na prática investigativa. Partindo desta definição, estaria a Educação Física em condição de academicamente assumir o status de ciência? Sabe-se que hoje o campo de estudos da Educação Física está comprometido com as derivações e possibilidades do corpo em movimento. Em nosso argumento, a Educação Física hoje é mais do que educar o corpo (prática social e profissional), tendo tornado-se uma área de conhecimento (uma Ciência), a qual dedica-se a investigar como na contemporaneidade o corpo tem sido instrumentalizado para variados fins, buscando compreender os desafios do desenvolvimento da corporeidade em uma sociedade cada vez mais distante da natureza e com variados mecanismos de disciplinar o corpo. Por outro lado, evidencia-se aos educadores a necessidade de libertar o corpo em suas variadas possibilidades em diferentes contextos sócio-culturais. Esta problematização deve considerar o caráter interdisciplinar desta investigação, o que não reduz a cientificidade do campo de estudos da Educação Física, apenas a empurra para uma distância da concepção hegemônica de ciência do século XX.Downloads
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Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A RELAÇÃO EDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIA: A EXPERIÊNCIA DO PIBID UNIPAMPA CAMPI DE URUGUAIANA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/79909. Acesso em: 18 abr. 2026.