A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS PECUARISTAS FAMILIARES: UM ESTUDO DE CASO NO ALTO CAMAQUÃ
Palavras-chave:
Educação, ambiental, Alto, Camaquã, Pecuária, familiarResumo
Os pecuaristas familiares da sub-bacia hidrográfica do Alto Camaquã, objeto de estudo deste trabalho, sofrem ao longo dos seus 150 anos de ocupação com a carência da gestão de recursos hídricos. Além disso, no decorrer da última década, em consequência de severas mudanças climáticas e ocupação incorreta do solo, houve retrocessos na quantidade e qualidade da água disponível. Um aspecto fundamental da pecuária familiar neste território é a servidão das nascentes como forma de subsistência, no entanto, ainda há necessidade de estratégias mais conscientes por partes destes atores locais. Qualquer ação de modificação de tais práticas requer conhecimento sobre a realidade e percepção ambiental no meio onde estão inseridos. Isso requer reflexões críticas para a construção gradativa de saberes sustentáveis. Deste modo, buscou-se compreender as representações sociais dos pecuaristas familiares. Para isso, construiu-se um modelo conceitual ideal‟ do problema, no qual são analisadas as relações sistêmicas da interdependência da pecuária, meio ambiente e mercado com base no ciclo da água. Posteriormente, foi estruturado um roteiro de entrevista qualitativo. As metodologias de investigação social utilizadas são análise de conteúdo e fundamentos da teoria da representação social de Serge Moscovici e de pesquisa social qualitativa de Marília Cécilia Minayo, que objetiva captar, descrever e analisar percepções, idéias, cotidiano, contextos dos atores sociais. A análise dos resultados propiciou conhecer e diagnosticar as idéias e percepções, representações dos pecuaristas sobre manejo de campo e água, escassez hídrica, água e qualidade de vida e a influência na produção pecuária. Resulta-se que a maioria dos pecuaristas estudados não percebem o ambiente em que vivem como um todo e não conhecem o ciclo hidrológico, dificultando o manejo adequado, principalmente, ao que se refere aos recursos hídricos. Propõe -se a construção de oficinas de educação ambiental, através das associações, aspecto considerado importante na comunidade e relatado nas entrevistas. As estratégias utilizadas podem ser voltadas à abertura de horizontes reflexivos, tentando romper com os tradicionais discursos verificados na prática educativa, e que associem teoria e prática. Por outro lado, grande parte dos pecuaristas pagaria para ter água em abundância em sua propriedade, em vista disso, trabalham manejo de nascentes, recuperação de áreas degradadas e fontes alternativas de armazenamento e captação de água, para diminuir a sensação de escassez hídrica, porém a falta de conhecimento específico aumenta as dificuldades na execução e no manejo destas ferramentas. Por fim, este estudo reúne subsídios para melhor atrelar estratégias de educação ambiental no território, elementos importantes que oferecerem ferramentas para ações de políticas públicas, extensão e pesquisa, contribuindo assim para o exercício da educação ambiental.Downloads
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Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS PECUARISTAS FAMILIARES: UM ESTUDO DE CASO NO ALTO CAMAQUÃ. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/79897. Acesso em: 16 abr. 2026.