DIAGNÓSTICO DE Sporothrix schenckii EM FELINO NA REGIÃO DA CAMPANHA RELATO DE CASO

Autores

  • Debora Silva
  • Luisa dos Santos Veber
  • Maila Vitória Saldanha
  • Patricia de Freitas Salla

Palavras-chave:

esporotricose, fungo, gatos, zoonose

Resumo

A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que acomete humanos e animais, sendo o gato o animal que apresenta a maior freqüência de casos. Ele está amplamente distribuído geograficamente e pode ser encontrado preferencialmente em solos ricos em matéria orgânica. É um fungo dimórfico, que existe nas formas de hifa a 25ºC e de levedura a 37ºC. O diagnostico definitivo da espotricose requer o isolamento de S. schenchii em cultura. O modo usual de contágio é por implantação traumática do fungo através de arranhadura ou mordedura de um gato contaminado, podendo ocorrer também através de feridas contaminadas. Essa doença pode se manifestar de três formas: cutânea, cutanealinfática e disseminada. Nos gatos, as lesões ocorrem mais comumente no aspecto distal dos membros, cabeça ou base da cauda. O quadro inicial pode assemelhar-se a feridas devido a brigas, abscessos, lesões de celulite ou com tratos fistulosos que não são responsivas a antibioticoterapia. O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico de esporotricose em um felino em razão de sua importância epidemiológica e por se tratar de uma doença de alto potencial zoonotico. Realizou-se o atendimento clínico em um felino, recolhido da rua no município de Bagé-RS, macho, sem raça definida, com média de 5 anos de idade, pesando 3,900kg, no qual apresentava lesões na região do flanco e orelhas. Durante a inspeção, constatou-se a presença de lesões, além de secreção purulenta no local, prostração e desidratação do animal. O tratamento realizado foi o de fluidoterapia, cefalexina 25mg/kg, via oral, a cada 24 horas e uso tópico de gentamicina nas lesões. No momento ocorreu a coleta de material e enviado ao laboratório, onde houve crescimento de colônias típicas de S. schenckii a partir de amostra coletada e inoculada no meio Agar Sabouraud com cloranfenicol e cicloheximida a 25ºC e no meio Agar infusão de cérebro-coração a 37ºC. Após a identificação do agente na lesão como S. schenckii, o tratamento constou de itraconazol 10 mg/kg, por via oral, a cada 24 horas e protetor hepático (silimarina DL-metionina), uma vez ao dia. Após quinze dias desde o início do tratamento, o animal já apresentava as lesões mais secas e com menos crostas porem apresentava-se ictérico e recusando a alimentar-se vindo a óbito. Mesmo que ainda utilizada de forma correta a dose do medicamento, talvez por sua debilidade, o animal pode ter vindo a óbito por hepatotoxicidade pelo itraconazol.O itraconazol é considerado o fármaco de eleição nos casos de esporotricose humana e felina, devido a sua eficácia e segurança em comparação com o demais antifúngicos. Não se sabe ainda porque os gatos, diferentemente dos seres humanos e dos outros animais, apresentam uma maior sensibilidade ao fungo. Imunodepressão generalizada ou a ocorrência de anergia especifica ao S. schenckii foram sugeridas, mas não tínhamos acesso a informações do histórico para que pudessem excluir/incluir causas de imunossupressão. O tratamento da esporotricose felina representa um desafio para o medico veterinário. E por se tratar de uma zoonose, é de extrema importância a notificação desta, para diminuir os casos.

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Publicado

2020-02-12

Como Citar

DIAGNÓSTICO DE Sporothrix schenckii EM FELINO NA REGIÃO DA CAMPANHA – RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/79784. Acesso em: 17 abr. 2026.